Brasília-DF,
19/SET/2017

Aruc passa por reformulação e aposta no enredo em homenagem a Dorival Caymmi

Escola almeja reconquistar título de campeã do carnaval

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Adriana Izel Maíra de Deus Brito Publicação:20/02/2014 07:00
Sambistas e passistas da Aruc prontos para entrar na Passarela da Alegria, perto do Ginásio Nilson Nelson (Janine Moraes/CB/D.A Press)
Sambistas e passistas da Aruc prontos para entrar na Passarela da Alegria, perto do Ginásio Nilson Nelson

É impossível pensar no carnaval de Brasília sem lembrar da azul e branco. A Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) é a única a ter participado de todos os desfiles na cidade desde a década de 1960 e ainda é recordista de títulos da folia brasiliense — ao todo ganhou mais de 30 vezes.

A escola nasceu em 21 de outubro de 1961 da ideia de um grupo de moradores do Bairro do Gavião (como era chamado o Cruzeiro) em sua maioria formado por cariocas que haviam sido transferidos para a capital. A agremiação surgiu dentro da casa da avó de Alexandre Cidade, atual diretor da bateria da Aruc. “Eu nem estava no pensamento dos meus pais e a escola já tinha nascido. A família inteira desfila ou tem algum envolvimento dentro da Aruc”, conta. Assim como aconteceu com Alexandre, a maioria dos integrantes da Aruc é formado por famílias completas que vivem na região.

Este será o primeiro ano de Alexandre Cidade à frente da bateria. E é nesse tipo de mudança que a escola aposta em 2014 para reconquistar o título perdido nos dois últimos anos para a rival Acadêmicos da Asa Norte.

Camila Gabriela, Luciana Lima e Anderson Madson são outros exemplos de reformulação na Aruc. Com apenas 22 anos, Camila vai assumir o posto de rainha da bateria pela primeira vez, assim como Luciana Lima que sairá como madrinha no desfile de 4 de março na Passarela da Alegria, uma estrutura montada ao lado do Ginásio Nilson Nelson. Já Anderson recebeu o convite para ser mestre-sala. “Estou nervoso. É muita responsabilidade trazer o pavilhão da escola”, confessa o estreante.

Outra tática da agremiação para voltar a ser campeã está no samba Minha jangada vai sair pro mar para festejar o centenário de Dorival Caymmi, escrito por Dilson Marimba, dono do enredo vice-campeão de 2013, da Beija-Flor de Nilópolis; Cláudio Russo, Diego Tavares e Diego Nicolau. “Ano passado desfilamos Vinicius de Moraes. Neste ano, ficamos na dúvida entre Caymmi e Clara Nunes, mas optamos pelo cantor por conta de ser o ano do centenário”, explica Ana Paula Salim, integrante da comunicação da Aruc.

Além disso, o vice-presidente, Helio dos Santos, confirma novidades no quesito fantasias, alegorias e adereços, que serão desfiladas pelos 1,2 mil componentes. Atualmente, a agremiação trabalha para refazer as alegorias compradas no Rio de Janeiro e que acabaram sendo perdidas no ano passado, durante um incêndio que atingiu a sede no Cruzeiro Velho. “Estão sendo refeitas. Isso não vai prejudicar o nosso carnaval”, garante o vice-presidente.

O fogo no barracão gerou insegurança nas sedes das escolas e também levantou a discussão sobre os terrenos que ainda não foram liberados pelo governo, o que de acordo com Geomar Leite, presidente da União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo (Unesbe), era uma promessa antiga.

Falta de terreno
Para Helio dos Santos, as maiores dificuldades estão na dependência que a cidade tem do Rio de Janeiro e de outros locais para conseguir alegorias, fantasias e profissionais capacitados. “O governo e as escolas de samba precisam trabalhar com a capacitação de profissionais para formar os vários segmentos do carnaval”, explica o vice-presidente.

Como a Aruc conseguiu captar recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), a escola realizou neste ano a oficina A dança do samba, em que foram convidados coreógrafos como o Mestre Dionísio para ensinar técnicas aos mestres-sala e porta-bandeiras das 21 agremiações da capital.

Na opinião de Santos, a primeira providência com o objetivo de melhorar o carnaval brasiliense já foi tomada. “A mudança para a área central de Brasília era fundamental. Se não tivermos problemas de transporte, o público com certeza vai aparecer”, acredita. O Governo do Distrito Federal deve divulgar em breve o esquema de transporte público para o evento.

» 1,2 mil componentes
» 90 integrantes na bateria
» 20 alas
» 6 intérpretes
» 3 carros alegóricos
» 3 casais de mestre-sala e porta-bandeira

Atividades comunitárias
» Desde que surgiu, a Aruc também investiu em esporte e eventos culturais. Nos anos 1970, a escola abriu um departamento de esportes e formou equipes de futebol, futsal e handebol. Dez anos depois, a agremiação organizava o concerto de rua Canta Gavião, que recebeu artistas como Cássia Eller (que foi moradora do Cruzeiro), Eduardo Rangel, Liga Tripa e Aborto Elétrico. O evento era tradicionalmente realizado nas tardes do segundo domingo de cada mês se revezando entre as quadras 10 do Cruzeiro Velho e a 403 do Cruzeiro Novo.

Depoimentos
“Nós tivemos a vitória de 2011, que foi muito vibrante. Também teve a homenagem a Joãosinho Trinta, em 2009”

Camila Gabriela,
22 anos, rainha de bateria

“Em 2002, nosso samba-enredo foi Aruc e Fundo de Quintal, uma só paixão, que homenageou o grupo carioca. Foi inesquecível. Os músicos vieram para o ensaio e desfilaram com a gente. Eles adoraram o tributo, afinal poucas escolas ainda o fazem"

Mestre Boca,
47 anos, diretor de bateria

“O momento mais marcante para mim foi ver minha filha pela primeira vez na avenida em 2007. Depois, em 2011, quando ela foi porta-bandeira-mirim pela primeira
vez, aos 7 anos”

Luzia Tremendani,
34 anos, responsável pela ala de passistas mirins

“São muitos momentos inesquecíveis, mas cito dois destaques. O primeiro foi o desfile de 2002, quando homenageamos o grupo Fundo de Quintal. Foi o primeiro ano em que fui intérprete e a Aruc conquistou o 25º título. O segundo foi em 2003, com o samba-enredo sobre a poetisa Cora Coralina. Comecei com o pé direito: ganhei a primeira disputa que participei. Porém, infelizmente, naquele ano, o governo não liberou a verba para o carnaval e não houve desfile”

Renan da Cuíca,
29 anos, intérprete

“O carnaval de 2011 foi especial. Marcou por ser os 50 anos da Aruc. E também quando falamos de
Dona Beija, em 1968”

Wellington Vareta,
58 anos, do departamento de carnaval

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.