Brasília-DF,
22/SET/2017

Azarões do Grupo Especial tentam derrubar a hegemonia dos campeões no DF

Águia Imperial de Ceilândia, Mocidade do Gama, Bola Preta de Sobradinho e Unidos da Vila Planalto/Lago Sul apostam em sambas-enredos fortes para vencer

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Adriana Izel Maíra de Deus Brito Publicação:20/02/2014 07:04Atualização:19/02/2014 16:31
A disputa entre as escolas de samba de Brasília costuma ter um resultado constante. Ou a Agremiação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) conquista mais um título para a coleção, ou a Acadêmicos da Asa Norte aumenta a concorrência levando o troféu de melhor do ano. Mas nem isso intimida as outras quatro agremiações do Grupo Especial que desfilarão em 4 de março na Passarela da Alegria, uma estrutura montada ao lado do Ginásio Nilson Nelson.

Águia Imperial de Ceilândia, Mocidade do Gama, Bola Preta de Sobradinho e Unidos da Vila Planalto/Lago Sul investem em alegorias e apostam em sambas-enredos com temas fortes para desbancar a hegemonia das duas principais escolas. Entre os temas, estão: o folclore do Nordeste, que será cantado pela escola de Ceilândia; a história das máscaras, representada pelo Gama; a homenagem ao sambista Haroldo Melodia, uma aposta da Vila Planalto e Lago Sul; e a língua portuguesa, celebrada por Sobradinho. Conheça abaixo um pouco sobre as quatro escolas do Grupo Especial.

Águia Imperial de Ceilândia

 (Ed Alves/CB/D.A Press)

Criada em 1984, ela é representada pela ave predadora e pelas cores azul e branca, os mesmos símbolos da madrinha da agremiação, a escola de samba carioca Portela. Em 2014, a representante de Ceilândia busca o quinto título com enredo Você conhece o folclore nordestino? Não? Então a Águia Imperial vai te mostrar, desenvolvido pelo carnavalesco carioca Walter Nicolau. Ao som do samba composto por Diego Nicolau, Diego Daniel, Sheila Fortes, Luizinho Andanças e Geomar Leite (conhecido como Pará), os 1.100 componentes, distribuídos em 17 alas, farão um passeio pela região homenageada, mostrando o frevo, a capoeira, as quadrilhas juninas e a axé music, entre outras manifestações culturais.

“Viemos com força total para competir no carnaval deste ano. A escola trouxe seis profissionais do Rio de Janeiro para ajudar a desenvolver as alegorias. É importante aprender com a experiência carioca. Nossos carros alegóricos nunca tiveram tanta expressão como os preparados para o desfile de 2014. E o enredo é uma maneira de homenagear a cidade, já que a maior parte dos moradores de Ceilândia são nordestinos”, detalha Pará, presidente da agremiação e da União das Escolas de Sambas e Blocos de Enredo do DF (Uniesbe-DF).

Unidos da Vila Planalto/Lago Sul

 (Ed Alves/CB/D.A Press)

Depois de vencer o carnaval de 2013, com o samba-enredo De Kubitcheck a Silva, os sabores da Vila Planalto na festa do seu decênio no Grupo de Acesso das Escolas de Samba de Brasília, a agremiação promete uma festa inesquecível para o primeiro desfile no Grupo Especial. “A expectativa é a melhor possível. Há um trabalho árduo para competir de igual para igual com os outros concorrentes”, avisa Edivaldo José dos Santos, presidente da escola.

Com Há! Hai! Segura a marimba! A Vila traz Haroldo Melodia, de autoria de Dílson Marimba, Diego Nicolau, Diego Tavares e Tiago Daniel, os 780 integrantes homenageiam o principal intérprete da União da Ilha do Governador nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Na escola de samba carioca, Haroldo (1930-2008) deu voz a sambas inesquecíveis como Domingo (1977), O amanhã (1978) e É hoje (1982).

“Em setembro fomos apadrinhados pela União da Ilha com a presença de vários integrantes da escola. O enredo — do carnavalesco Sérgio Souza — é um tributo ao Haroldo, mas também é uma homenagem à escola. Nosso desfile terá a presença de Ito Melodia, filho de Haroldo, atual intérprete da União”, adianta Edivaldo.

Mocidade do Gama

 (Ed Alves/CB/D.A Press)

Neste ano, a associação criada em 1985 irá à passarela para tentar refazer o feito de 2005, único ano em que venceu o desfile no Grupo Especial. Sob o samba-enredo A Mocidade do Gama mostra a cara e tira as máscaras do carnaval, de Frederico Augusto, a escola fará uma viagem desde o antigo Egito até os filmes de super-heróis e de terror para tentar conceituar a origem das máscaras. A Grécia, o Império Romano, a África e o carnaval de Veneza ajudarão a contar essa história proposta pela verde e branco.

Desde o ano passado, a escola ensaia todos os sábados ao som da chamada Bateria Furiosa no barracão localizado no Setor de Indústria do Gama. Como ainda não conseguiu completar o número de componentes que devem sair na passarela, a Mocidade do Gama continua recebendo pedidos de participação nos ensaios da escola.

Bola Preta de Sobradinho

 (Ed Alves/CB/D.A Press)

Com o nome do famoso bloco de rua carioca, a escola foi fundada em 1974 por um grupo de bombeiros e policiais militares vindos do Rio de Janeiro. Desde que integrou o Grupo Especial, em 1989, a agremiação nunca ganhou um título. No entanto, esse estigma não ronda a Bola Preta, que pretende conquistar o júri com o samba-enredo Quilombo das palavras — O canto livre no reino dos lusófonos composto por Dilson Marimba, Ribeirinho e Marquinhos Beija-Flor.

A história da língua portuguesa será encenada pelas 15 alas da Bola Preta, homenageando grandes autores da literatura como Luis de Camões, Jorge Amado e Graciliano Ramos. “O fado, um canto e Luis de Camões/Nos versos, a sabedoria/Herança mais bela, reluz a magia/Brasil de Amado e seus carnavais”, celebra o samba-enredo. Além disso, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e outros países que também falam português estarão entre as alegorias da escola.

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