Brasília-DF,
18/DEZ/2017

Documentário navega entre pragmatismo e utopia da pacificação das favelas

O filme "Pacificar Rio?" será exibido no dia 10 de junho pela rede de televisão franco-alemã Arte, uma das coprodutoras.

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France Presse Publicação:27/05/2014 11:34Atualização:27/05/2014 11:39
Militares da força de pacificação no Complexo da Maré (Pablo Jacob/Agência O Globo)
Militares da força de pacificação no Complexo da Maré

O documentário Pacificar Rio?, um olhar sensível e complexo sobre a crua realidade das comunidades carentes do Rio de Janeiro, do diretor uruguaio Gonzalo Arijón, foi apresentado em "avant premiere" nesta segunda-feira (26/5) na Maison de l'Amérique Latine em Paris.

O filme, de 80 minutos, será exibido no dia 10 de junho pela rede de televisão franco-alemã Arte, uma das coprodutoras.

"Este filme é um olhar pessoal sobre um processo em curso muito complexo, apaixonante e inédito para mudar o paradigma de uma política repressiva e tentar reconquistar um território, deixando o tráfico de drogas em segundo plano", disse à AFP o cineasta uruguaio em referência às UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora.

A explicação mais corrente vincula esta mudança de enfoque à emergência provocada pela Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, segundo Arijón, mas se pode "especular com diversas hipóteses, 'a priori' todas válidas em um complicadíssimo mosaico sócio-econômico e cultural".

"As autoridades negam qualquer vínculo direto, toda relação causa-efeito, entre esta política de pacificação e os dois eventos esportivos, e é certo que os primeiros passos deste processo se deram antes de o Brasil ser escolhido para organizar o Mundial e as Olimpíadas", destaca Arijón, estimando que "o grande desafio para o governo do Rio é avançar até a Copa de maneira que esta política seja irreversível depois".

Algumas comunidades "pacificadas" convivem com a presença desta nova polícia, de ONGs integradas - entre outros - por traficantes arrependidos, e por criminosos que permanecem de forma menos ostensiva no local.

"Será uma nova política cidadã precursora ou, talvez, um plano diabólico para expulsar os moradores de locais onde há as mais belas vistas do mundo?" - reflete Arijón. "Há muito tempo me faço esta pergunta que, talvez, tenha uma resposta mais clara anos após o Mundial e os Jogos Olímpicos".

Diante de tantos interesses em jogo, incluindo o potencial desenvolvimento da indústria petrolífera no litoral do Rio, que mudaria muito o perfil da cidade, também é preciso dar crédito às boas intenções das autoridades locais, sem esquecer que nos últimos anos o Brasil tirou milhões de seus habitantes da pobreza e surge como uma das grandes potências econômicas do século XXI, segundo o cineasta uruguaio.

Gonzalo Arijón recebeu, entre outros, o prêmio Joris Ivens 2007, um dos mais importantes do cinema documentário, concedido em Amsterdã por Stranded (A Sociedade da Neve).

Pacificar Río? é uma coprodução da Arte, Pumpernickel Films e Canal Brasil.

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