Brasília-DF,
27/MAI/2017

'Avanti Popolo' aborda temas como a degradação humana na passagem do tempo

Filme dirigido por Michael Wahrmann promete brigar por atenção durante as partidas da Copa do Mundo

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Yale Gontijo Publicação:13/06/2014 06:00Atualização:12/06/2014 16:01
Carlos Reichenbach foi premiado por sua perfomance no Festival de Cinema de Brasília
 (Dezenove Som e Imagens/Divulgação)
Carlos Reichenbach foi premiado por sua perfomance no Festival de Cinema de Brasília
A memória é como o rolo de negativos de um filme cuja película acaba revelando as ranhuras e os desgastes da passagem do tempo. Essa degradação é a única permanência na narrativa de Avanti popolo, um dos lançamentos brasileiros no circuito cinematográfico, que teimam em brigar por atenção durante as partidas da Copa do Mundo no Brasil.

Avanti Popolo começa a lenta caminhada guiada por um farol solitário de um carro percorrendo as ruas tortuosas de uma periferia de grande cidade até encontrar o protagonista, um homem solitário, carregando uma mala. Ele é André (André Gatti), que retorna à antiga casa para encontrar os efeitos da deterioração do tempo dentro do casarão de dois andares da família. O mofo ocupando paredes, móveis, borrando parte da consciência do pai - interpretado pelo cineasta Carlos Reichenbach (1959 - 2012) em última aparição - e apagando as lembranças do irmão que se perdeu nos porões da ditadura militar no Brasil.

O diretor Michael Wahrmann pratica rupturas formais (muito parecido ao cinema marginal brasileiro), no intuito de transformar a sujeira armazenada no casarão decadente, onde viveu a família repartida, numa metáfora do processo de esquecimento e de dor.

Três perguntas para Michael Wahrmann

Sobre o que fala Avanti Popolo?
Fala sobre ruínas. A ruína de uma família diante de um regime de governo, fala do fim das ideologias, a ruína do próprio cinema. Fala também de resistência. Um núcleo familiar que resiste. O cinema projeta as utopias na tela como uma forma de ligação a essas ruínas.

Por que o elenco do filme é todo formado por cineastas?
A ideia inicial era trabalhar com atores profissionais. Estava rascunhando o roteiro e era aluno do André Gatti quando tive a ideia de convidá-lo. Acho que ele tinha um pouco essa imagem do socialista derrotado e o convidei para fazer o filme. Depois, conheci o Carlão num festival na França e reparei o quanto ele se parecia fisicamente com o Gatti. Por último, precisava de um cara muito chato para fazer o taxista e acabei chamando Eduardo Valente, uma pessoa que eu amo de paixão, mas que é muito chato.

É verdade que comunistas não pagam o ingresso do filme?
(Risos). Nós pensamos em fazer uma espécie de paródia de marketing dos filmes comerciais. O longa fala do fim das ideologias dos partidos e pensamos que os comunistas seriam o público ideal. Mas para participar da promoção não basta só se dizer comunista na bilheteria. É precisa ler o regulamento da promoção no site (http://avantipopolofilme.com/comunistas/) e comprovar a militância.

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