Brasília-DF,
19/OUT/2017

Cinebiografia do escritor Paulo Coelho estreia nesta semana; confira

Num certo sentido, o êxito dos longas Chico Xavier e Somos tão jovens parecem orientar Não pare na pista

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Ricardo Daehn Publicação:15/08/2014 06:00
Cena de Não pare na pista: crenças e força do pensamento estão no centro do filme (Sony Pictures/Divulgação)
Cena de Não pare na pista: crenças e força do pensamento estão no centro do filme

Existe um enorme trunfo literário em Não pare na pista: a melhor história de Paulo Coelho, e que atende por Carolina Kotscho, a roteirista do longa de estreia de Daniel Augusto. Fiel ao método de esmiuçar dados biográficos, ela deu corpo não apenas a 2 Filhos de Francisco — A história de Zezé Di Camargo & Luciano, mas também catalizou a delicadeza de Flores raras (centrado em Elizabeth Bishop). Com bons atores em cena, do sempre crível Júlio Andrade a Fabiana Gugli (que representa o amor da vida do mago das letras), passando por Enrique Diaz (o pai severo) e Lucci Ferreira (um Raul Seixas reencarnado), o roteiro cresce e se descola do tom piegas.

Uma proeza, já que o mote é o do menino estagnado, “sem maiores desafios”, que — desajustado(?),“feio e esquisito” — vai encontrar reconciliação, tratamentos de choque e serenidade. A crença (“o discípulo escolhe o mestre”, reforça uma das falas) e a estruturação da força do pensamento estão na trilha de Paulo Coelho. Entre demasiadas idas e vindas no tempo , o filme se vale de um caldeirão de ideologias e nortes para os caminhos (entre os quais o de Santiago de Compostela) reprocessados na mente do peregrino. Trabalho e transformação se adequam para o extenso compêndio de aprendizado ao ocultista Aleister Crowley (orgânico, no formento de uma sociedade alternativa) e aos “sinais” extraídos até mesmo de um episódio de Jornada nas estrelas.

Num certo sentido, o êxito dos longas Chico Xavier e Somos tão jovens parecem orientar Não pare na pista. Por planos singelos (sem muita mitificação), os eleitos das tramas tratam de ocupar o papel de destaque que lhes caibam. Aficcionado pela máquina de escrever, Paulo Coelho quer “acabar com o tédio no mundo” e, por insistência de Raul Seixas, “falar (escrever) para todos”. A repressão aos maus pensamentos, por meio do castigo físico, é um dos elementos mostrados no longa e que inscreve o tema da religiosidade.

No caminho para tocar “a palavra da vida” (que tanto persegue), o Paulo Coelho do filme cai num meio abstrato e que funde o próprio (e raso) desempenho dele na lida com simbologias e manifestações pouco críveis, como o aparecimento de uma espada de luz. Por sorte, esse lado mais alegórico nem é tão explorado — privilegia-se o criador, em plano mais baixo, na determinação do autor de O diário de um mago e O alquimista se afirmar na escrita. Dotado de humor (que faz graça, pertinente, até com tortura) e sem se esquivar de mostrar o rompimento entre Coelho e Seixas, o relato cinematográfico fica ainda mais íntegro, ao não ignorar limitações de apreço que imantam Coelho (“Eu li, querendo gostar”, ressalva um editor, na trama). Em suma, o filme tende a exalar um cheiro de unanimidade; e que, numa exceção (propícia à perplexidade), rima com esperteza. Venderá que só.
 
Assista ao trailer de Não Pare na Pista:
 

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