Brasília-DF,
22/JUN/2017

Estrelado por Deborah Secco, Boa sorte traz à tona o drama da Aids

O filme vem salpicado da ironia, muitas vezes fina, da dobradinha dos roteiristas Jorge e Pedro Furtado - pai e filho

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Ricardo Daehn Publicação:28/11/2014 06:00Atualização:27/11/2014 16:35
Fernanda Montenegro e Deborah Secco: encontro de gerações e de atuações inspiradas  ( Daniel Benr/Divulgação)
Fernanda Montenegro e Deborah Secco: encontro de gerações e de atuações inspiradas

“Você quer morrer?”, brada, com ódio, a protagonista do filme assinado por Carolina Jabor, ao surpreender o jovem amante, às vias de uma relação sem camisinha. Alterada, Judite (Deborah Secco, muito empenhada e surpreendente) lembra, pela determinação, a protagonista de Nome próprio, feita por Leandra Leal. Internada em clínica e isolada do mundo, Judite — infectada pela aids, por meio de vícios inseguros — tem certezas tortas, como a de que o “sexo é um ótimo tipo de amor”, ao lado de alguns delírios e alucinações.

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Entre doses de prazeres singulares, Judite terá seu momento aos moldes de Ensina-me a viver: de certa forma, ela doutrinará o tenso João (a revelação João Pedro Zappa), que, sem muito apreço pela existência, tem pela frente o aprendizado do relaxamento, habitando o mesmo ambiente da clínica. O retrato da indisciplina, das incongruências não restritas apenas aos pacientes e da carga do inesperado confirmam o bom pulso da diretora.

Com algo das contravenções do cinema grego moderno, o filme vem salpicado da ironia, muitas vezes fina, da dobradinha dos roteiristas Jorge e Pedro Furtado — pai e filho. Sobra até para o Brasil, numa das falas: “É um país doente do corpo e do espírito. Tem mais farmácia do que igreja evangélica”.

Os pais de João e a avó de Judite estão tão perdidos quanto os jovens. A mãe dele quase nega a existência de João e cobiça a vaga dele no manicômio. Vivida por Fernanda Montenegro, a avó da protagonista é consumidora de drogas. Os responsáveis aglutinam o recado central da fita, que se encerra em interessante tom de parábola. Como pretende, Judite será lembrada, nem que seja pela cabeça dos sortudos espectadores.



Duas perguntas para Pedro Furtado (corroteirista)

De onde surgiu a opção de um revestimento pop para o filme?

A ideia da animação partiu do momento em que inventamos um diário para a protagonista Judite. É algo que não estava no conto. Usar a animação, que foi uma ideia em conjunto, veio para enriquecer a Judite. Ela tem interesse por artes e o filme dialoga muito com a estética pop — falamos abertamente de marcas de produtos. Só não pudemos chamar o filme com o título original (Frontal com Fanta), por problemas de liberação. Usamos muitas intervenções para nos comunicarmos com jovens.

Como foi seu trabalho ao lado do pai (Jorge Furtado)?

É engraçado: sei precisamente os diálogos que escrevi. Já as pessoas que assistem ao filme dizem que não percebem o trabalho conjunto de duas pessoas. A unidade vem da minha observação de saber muito do gosto dele e me adequar ao tipo de diálogo, curto e não necessariamente realista. As teorias da Judite são muito marcadas no conto do meu pai. Isso estád nele, desde o curta Ilha das flores. Lutei muito pelas cenas de silêncio.

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