Brasília-DF,
20/NOV/2017

Sequência de O hobbit se perde em longa duração e no roteiro confuso

Peter Jackson parece ter um genuíno apreço pelo material do escritor e, aparentemente, tem muita dificuldade para selecionar o que é essencial e o que é acessório nas histórias

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Publicação:12/12/2014 06:00Atualização:11/12/2014 17:58
Falta concisão e objetividade no filme de Peter Jackson
 (Warner Bros/Divulgação)
Falta concisão e objetividade no filme de Peter Jackson
A trilogia O hobbit, baseada no livro homônimo do escritor J.R.R Tolkien, chega ao fim apresentando exatamente os mesmos problemas encontrados no primeiro filme, O hobbit: uma jornada inesperada (2012). A projeção do novo O hobbit: a batalha dos cinco exércitos começa exatamente no clímax do segundo filme da saga, O hobbit: a desolação de Smaug (2013).

Resumidamente, o dragão Smaug é derrotado pelo guerreiro humano Bard (Luke Evans). Sem a ameaça gigantesca, os anões seguidores do rei Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) podem finalmente botar as mãos no tesouro de Dale escondido na Montanha Sagrada.

Chegamos a um impasse, já que o ouro escondido pertence por direito de herança também aos elfos e aos humanos. Um exército do primeiro povo pretende reaver parte do tesouro derrotando os anões, que são surpreendidos por um ataque dos orcs. Formando duas frentes de batalha, os orcs passam a atacar humanos e a enfraquecer a defesa dos anões. Relutantes, os elfos decidem enfrentar os orcs para ajudar os dois povos. Deu para entender? Não? Depois uma sequência enorme dedicada apenas à batalha (cujo desfecho era bem simples) encontra-se a moral da história e a explicação para a desordem.

Peter Jackson parece ter um genuíno apreço pelo material do escritor e, aparentemente, tem muita dificuldade para selecionar o que é essencial e o que é acessório nas histórias que se compromete a narrar. O cineasta culpa os livros pelos excessos cinematográficos cometidos tanto em O senhor dos anéis quanto na segunda franquia. Mas, forçando a memória, nos lembraremos que ele levou quase duas horas e meia para contar a história de King Kong em 2005. Na longa duração da franquia O hobbit - um livro mais curto, escrito por Tolkien para crianças - é evidente a grande fraqueza do narrador (no caso, Jackson): a ausência de concisão e de objetividade.

O hobbit: a batalha dos cinco exércitos está pré-indicado ao Oscar 2015 na categoria de melhor efeito especial numa lista de 10 filmes. Entre eles, Interestelar (Christopher Nolan) e Transformes - A era da extinção (Michael Bay). Os cinco títulos que concorrerão serão conhecidos apenas no dia 15 de janeiro.



Pontos positivos

Entre os três fimes da trilogia, este deve se comunicar melhor com os não iniciados no universo de J.R.R Tolkien. Isto porque foram reduzidas as descrições que o autor gosta de fazer nos livros;

A cena de abertura mostrando o combate entre Bard e o dragão Smaug resultou em bom uso de efeitos especiais e montagem ritmada. Nada falta e nada sobra nesta cena;

O aprofundamento do perfil psicológico do rei Thorin Escudo de Carvalho vivendo os delírios de grandeza da doença do dragão foram importantes para entendermos o personagem. Richard Armitage, o intérprete do rei, está muito  bem no papel;

Pontos negativos

O romance entre a elfo Tauriel e o anão Kili carrega boa parte da carga dramática do filme. No entanto, a aproximação do casal de etnias inimigas não convenceu muita gente;

Em O senhor dos anéis, Peter Jackson filmou uma boa parte dos filmes em locações da Nova Zelândia. Já em O hobbit, a produção confiou demais nos efeitos especiais. O resultado são cenários muito artificiais e personagens com pouco realismo (caso dos Orcs, por exemplo);

A enorme sequência de batalha unindo cinco exércitos se perde em tramas paralelas e no tempo de duração (mais de uma hora). É de longe a maior fraqueza do filme.

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