Brasília-DF,
26/MAI/2017

Documentário Esse viver ninguém me tira propõe o real por meio de divagações

O filme é assinado pelo ator e diretor Caco Ciocler

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Ricardo Daehn Publicação:12/12/2014 06:50
Documentário de Caco Ciocler foi exibido no último Festival de Gramado (BSB Serviços Cinevideo/Divulgação)
Documentário de Caco Ciocler foi exibido no último Festival de Gramado

Num emaranhado de conexões, o documentário Esse viver ninguém me tira sugere e especula, no lugar de bater o martelo e firmar conceitos. É raro um filme que pretenda o real por meio de divagações. Tão raro quanto honesto, no caso da fita assinada por Caco Ciocler. Engraçado é que, na busca pelas especiais circunstâncias de vida da retratada, mais conhecida por ter sido a mulher de João Guimarães Rosa, o diretor tenha tropeçado nas próprias origens como ele deixa claro.

À frente do setor de emissão de passaportes, quando o marido era diplomata, dona Aracy respondeu pelo salvamento de inúmeros judeus. Na retidão de atitudes recontadas em tom intimista pela narração do ator-diretor, o espectador descobre o árduo empenho de perpetuar a imagem de uma notável cidadã. Caso de resisitência da projeção de uma brasileira internacionalmente homenageada, ainda que ela seja ofuscada por entraves na cessão dos direitos de imagem pela família e esmaecida pela corrosão do Alzheimer. Ainda assim, Dona Aracy (“o anjo de Hamburgo”) teima em, sem espalhafato, fascinar.



Duas perguntas Caco Ciocler

Como vocês se diferenciaram do filme Outro sertão, documentário com tema semelhante?

Outro sertão faz uso de imagens de arquivo e aposta numa linda pesquisa documental. Eles foram atrás de provas. Nós nem tanto, pelo fato de dona Aracy ter legado poucos registros ou documentos. Quando fui convidado para dirigir, existia já um roteiro escrito pela Alessandra Paiva, que trabalhava na produtora Cinegroup, já com processo de pesquisas de três anos. Com minha entrada, o roteiro teve que ser refeito. Surgiram novas perguntas e buscamos novas respostas.

Qual foi a sua intenção com o filme? Você temeu ser didático na direção?

Quem pensa e enxerga o mundo de modo didático vai criar obras didáticas. Toda expressão artística tem a ver com a visão de mundo do artista. Impor o novo pelo novo projeta uma questão puramente egoica. Nisso vira um desastre. Quer criar algo novo? Então reinvente sua vida, reinvente sua visão de mundo. Gosto de olhar para as coisas meio de fora: muito mais do que mergulhar nelas. E isso é um exercício do olhar de diretor. Foi muito libertador entender que essa minha pulsão meio voyer podia ser exercitada dirigindo. Me emociona a história de dona Aracy e nossas conexões. A gente conta a história de uma mulher que durante toda a vida teve a coragem de fazer aquilo que julgava moral.

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