Brasília-DF,
22/OUT/2017

Julianne Moore brilha como professora diagnosticada com mal de Alzheimer

Confira a crítica do longa "Para sempre Alice"

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Ricardo Daehn Publicação:13/03/2015 06:00Atualização:12/03/2015 17:04
Juliane Moore no papel de Alice: interpretação primorosa rendeu-lhe o Oscar de Melhor Atriz
 (Sony Pictures/Divulgação)
Juliane Moore no papel de Alice: interpretação primorosa rendeu-lhe o Oscar de Melhor Atriz
Não há como negar traços de telefilme no longa que rendeu o primeiro Oscar à atriz Julianne Moore. A música sobe, emotiva, em muitos momentos claramente mais condizentes com a linguagem da telinha do que com a do cinema. As escolhas da trilha parecem preguiçosas - tem até a bela, mas recorrente, suíte de Bach para cello. Problemas dos menores, para o filme, que parece de câmara, é bom destacar.

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Um pleno domínio de discurso e da gramática, além da língua inglesa, em meio à bem resolvida vida, com filhos criados, reconhecimento profissional e confortáveis propriedades cabe à protagonista Alice Howland (Moore, imantada por carisma).

Alice, a dado ponto da trama, viverá o avesso das pompas de sua refinada qualificação como professora da Universidade de Columbia: simples e desorientada, conviverá com o mal de Alzheimer. Desconexa, a nova fase da vida acusa um futuro borrado. Enquanto há articulação e mesmo quando ela desaparece, o espectador se delicia com a vibração da mulher que cita Elizabeth Bishop.

Há um grau de tensão que ultrapassa o convívio da personagem com os familiares, vividos por Alec Baldwin e Kristen Stewart. Aos poucos, Alice ameaça inexistir, a partir de condições como a de desconhecer uma das filhas.

"Desvanecer", nas palavras da personagem de Julie Christie no inesquecível Longe dela (também apoiado no Alzheimer), é ameaça para Alice, que ganha sobrevida pela legitimidade dos diretores de Para sempre Alice com o tema: casados, Wash Westmoreland e Richard Glatzer enfrentam, juntos, doença similar neurodegenerativa.

O vínculo de naturalidade da atriz se dissolve, e, ela se volta a um pacto de performance dolorosa, ainda que nada estridente. O jogo de espelhos é uma constante para Alice, cada vez mais apegada ao autoconhecimento (enquanto persiste) e à revogação da intimidade e dona de um caminho difícil a ser trilhado.

Quem também cresce é Lydia (Kristen Stewart), aspirante a carreira de atriz às voltas com textos teatrais de Tchecov. Na base da poesia, os cineastas encontram espaço para a difusão de Angels in America (de Tony Kuschner), texto que dá relevância ao "doloroso progresso" que obriga pessoas a largarde mão parte do passado, para seguir adiante.

Confira o trailer de Para sempre Alice:


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