Brasília-DF,
23/OUT/2017

'007 contra Spectre' é uma sucessão de pequenos estragos

Última instalação da franquia escorrega entre cenas de ação que mais parecem comédia

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Ricardo Daehn Publicação:06/11/2015 07:00Atualização:05/11/2015 17:45

Ainteligência britânica em risco. É sério. Basta ver não apenas o novo (e 24º produto da franquia) 007 contra Spectre, mas ainda o exitoso apelo de público perante os ingleses. Quebrando paredes, ao mesmo tempo em que descobre situações inusitadas, James Bond está mais para operário de reforma ou para Demolidor do que para agente secreto.
 
A maior pista do que está no porvir vem da abertura cafona (à la Caminho das Índias), com uma música de Sam Smith. Outro Sam, no caso, Mendes, é quem dirige o longa, colecionando pequenos estragos.
 
Sob um batuque bacana, em meio à celebração mexicana do Dia dos Mortos (na Praça da Constituição), James Bond (Daniel Craig) surge no terninho slim comandando uma sequência de desnortear os olhos, num primeiro ato supra bem-sucedido do filme. Rebuscada, a cena mistura humor e ação (com deslizamento de toneladas de cimento e um helicóptero desgovernado), até a chegada de um misterioso anel nas mãos de 007.
 
Enquanto James Bond tem licença para matar, o vilão interpretado por Christoph Waltz (num repeteco de papéis feitos em Bastardos inglórios e Django livre) parece ter carta branca para esvaziar o interesse pela fita.
 
Parte dele o “convite” para que o agente entre (ao lado da mocinha interpretada por Léa Seydoux) num Rolls-Royce que desponta, do nada, no meio do deserto. Dali pra diante, resta ao espectador desacreditar de muito do que virá. Um dos aspectos mais desinteressantes é ver
 
James Bond atirar para o alto (como algo descartável) o próprio revólver, em prol de romance. Só faltou levantar um cartaz do tipo “faça amor, não faça guerra”.
 
Como bem definido por um dos vilões, no filme, 007 parece “uma pipa dançando num furacão”. A trama acolhe a possibilidade da implantação de um sistema de informações chamado Nove Olhos. Insubordinação e quebra de confiança se dispõem nos bastidores do MI6, com funcionários acuados não pelo comando de M (agora a cargo de Ralph Fiennes), mas pela possibilidade de privatização do serviço secreto, um ideal de vida, aos olhos de C (Andrew Scott).
 
Num tempo em que espiões “não têm mais importância”, como defende um dos personagens centrais, a crise se alastra, enquanto 007 mantém certa animosidade com M. Para o bem do filme, mesmo que o conflito central, no quarto de tortura entre o protagonista e o vilão feito por Waltz, seja breve, existem pequenos achados.
 
Perdendo a oportunidade de explorar um drama familiar (no encontro entre Waltz e Craig), Sam Mendes ganha pontos com arrebatadora imagem de uma explosão máster, em meio ao deserto, e, por vezes, se vale de humor. Mas é pouco, para um investimento de US$ 300 milhões.
 
Confira as sessões de 007 contra Spectre aqui.

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