Brasília-DF,
22/JUN/2017

Festival Varilux apresenta 15 títulos inéditos na seleção que contempla 40 sessões

Entre os destaques deste fim de semana estão 'Marguerite', 'Um doce refúgio' e 'Um homem, uma mulher'

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Ricardo Daehn Publicação:10/06/2016 06:30Atualização:11/06/2016 20:05
A animação 'Abril e o Mundo Maravilhoso' ganhou o Prêmio Cristal (Agência Febre/Divulgação)
A animação 'Abril e o Mundo Maravilhoso' ganhou o Prêmio Cristal
 
Quer coisa mais romântica do que cinema francês para o Dia dos Namorados? Quarenta sessões no circuito brasiliense de cinema ofertam uma das programações mais interessantes, por enquanto, em 2016. Com 15 títulos inéditos e a reprise de um clássico, o Festival Varilux traz filmes até mesmo para crianças, tapando lacuna, quando se trata de entretenimento de rara qualidade.
 
Um ano depois da vitória da animação brasileira O menino e o mundo, destacada pelo público e pelo título de melhor animação, em Annecy, Abril e o mundo extraordinário (de Franck Ekinci e Christian Desmares), a atração juvenil do Varilux faturou o prestigiado Prêmio Cristal.
 
Na realização, há louvor para o traçado do desenhista Jacques Tardi. A animação retrata um mundo desprovido da ciência, descoordenado e sem avanço nas comunicações e no setor industrial. Nele, uma menina busca os pais, misteriosamente sumidos.
 
Na mesma linha lúdica, o Varilux traz ainda O novato, do estreante Rudi Rosenberg. Um enredo divertido, uma interpretação despretensiosa da dupla mirim Max Boublil e Raphael Ghrenassia, bullying combatido em alto estilo e primeiras lições da vida sem pieguice estão impressos no filme.
 
'Marguerite' é um dos destaques do festival esse fim de semana (Agência Febre/Divulgação)
'Marguerite' é um dos destaques do festival esse fim de semana
 
Marguerite
Tudo vem em tom menor, quando está em jogo a capacidade vocal da personagem-título, na comédia assinada por Xavier Giannoli e datada do início do século 20. Arrasadora na performance, a atriz Catherine Frot estraga, com generosidade e graça, o libreto que dá corpo ao roteiro em que desfilam composições de Léo Delibes, Purcell, Vivaldi e Mozart. Inspirado em caso real da aristocrata Florence Foster Jenkins, o filme traz o risível objetivo de Marguerite: cantar, “brutalmente desafinada”, no prédio da Ópera Nacional de Paris. Paparica pelo dinheiro que tem, ela perfaz via-crúcis patética, em busca de público autêntico.

Meu rei
Ex-enfant terrible da sétima arte, a diretora Maïwenn, já consagrada por Políssia, recebeu oito indicações ao prêmio César com essa fita que liquida, com corrosão lenta e cruel, o ideal de um amor incorruptível. Quem dá credibilidade ao torpor que definha na bárbara convivência do casal protagonista Georgio e Tony são os excepcionais Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot (ela, premiada em Cannes, empatada ao lado de Rooney Mara, de Carol). Muito bem contada pelo mesmo roteirista de Homens e deuses, a história ainda ganha o luxo de Louis Garrel em papel coadjuvante.
 
Vinicius de Moraes e Baden Powell são responsáveis pela música brasileira da trilha de 'Um doce refúgio' (Agência Febre/Divulgação)
Vinicius de Moraes e Baden Powell são responsáveis pela música brasileira da trilha de 'Um doce refúgio'
 
Um doce refúgio
O astro Bruno Podalydès, ao lado da atriz Sandrine Kiberlain (presente também nas telas do Varilux, no drama geriátrico Flórida), encena e dirige essa pequena preciosidade de narrativa que desvia as atenções dos grandes centros urbanos. A paixão de Michel por aviões migra dos ares para o rio: num hobby levado a sério, o caiaque passa a ocupar espaço crescente na vida do quarentão. O desejo de se refestelar solitário em meio à natureza é invadido no melhor dos sentidos pela convivência com pessoas que, literalmente, margeiam os sonhos de Michel. Um filme pouco convencional, mas interessante.

Um homem, uma mulher
A combinação explosiva é de primeira nesse projeto de 1965 assinado por Claude Lelouch, tornado clássico absoluto. Por onde começar? Pela sofisticação e pelo mistério de Anouk Aimée — um raro caso de atriz estrangeira indicada ao Oscar. Pela música brasileira de Vinicius de Moraes e Baden Powell? Pela sinceridade do astro Jean-Louis Trintignant, que compartilha diretamente com o público seus pensamentos? Pela perene qualidade da música de Francis Lai, sempre atrelada ao filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes? A bela ambientação da praieira Deauville e um sofrido casal que se recompõe são dados inesquecíveis.

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