Brasília-DF,
23/JUN/2017

Documentário de Patrício Guzmán fala sobre culturas dizimadas

Em 'O botão de pérola', o diretor narra a fragilidade de povos chilenos

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Ricardo Daehn Publicação:29/07/2016 06:08Atualização:28/07/2016 18:24
Povos antigos do Chile são retratados no premiado documentário (Hugues Namur/Divulgação)
Povos antigos do Chile são retratados no premiado documentário
 
No lugar da denúncia inócua, amparada em números e estatísticas, o diretor Patrício Guzmán prefere as palavras do poeta Raúl Zurita para calibrar, com afeição, as duras despedidas —  de culturas dizimadas e de pessoas exterminadas —  apresentadas em O botão de pérola. Entre vítimas e algozes, o documentário coloca o espectador num plano de sensibilidade aguçada.
 
Como em Nostalgia da luz (2010), a natureza impulsiona a trama que recebe o tratamento bem pessoal de Guzmán, diretor e narrador do repasse de todas as informações capazes de seguirem coerência, alinhando discurso que relaciona água, seres nômades, astronomia e até ditadura militar.
 
Guzmán divaga, mas chega ao ponto e numa cena encerra: há fragilidade e arestas no Chile, um país literalmente embrulhado, ao ser representado numa instalação da artista Emma Malig, amiga de Guzmán.
 
 
 
O historiador Gabriel Salazar é outra personalidade que inteira o país, costeiro ao mar, mas que, a exemplo da relação entre Brasil e Amazônia, desconhece muitos dos recursos à mão. Entre os apenas 20 remanescentes diretos de algumas etnias originais no Chile, no filme que trata dos povos selknam e yaganes, entre outros, pairam tristezas de idiomas mortos, onde, por falta de necessidade, não havia vocábulo como polícia, por exemplo.
 
Veja os horários desse filme.
 
Premiado como melhor roteiro no Festival de Berlim, o filme gera um anticlímax ao adentrar em temas como os campos de concentração em Dawson (ilha ao sul do Chile). Para compensar há imagens estarrecedoras e o reavivar de memórias em torno de figuras históricas como o “viajante no tempo” Jemmy Button e o capitão Fitz Roy.

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