Brasília-DF,
11/DEZ/2017

Com 8 indicações ao Oscar, 'Moonlight: Sob a luz do luar' explora o humanismo

O longa de Berry Jenkins traz três fases da vida de Chiron

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Alexandre de Paula- Especial para o Correio Publicação:24/02/2017 06:03Atualização:24/02/2017 10:41
A identidade e a construção da personalidade estão em jogo em Moonlight: Sob a luz do luar (A24/Divulgação)
A identidade e a construção da personalidade estão em jogo em Moonlight: Sob a luz do luar
 

Classificar Moonlight: Sob a luz do luar é tarefa muito difícil, talvez impossível. Preferido de muitos críticos entre os filmes lançados no ano passado nos Estados Unidos, o longa de Barry Jenkins exala poesia e silêncio para tratar de temas complicados e dolorosos. Moonlight é, no entanto, sem dúvida, uma obra de arte. 
 
Sem que isso soe aqui como juízo de valor, a arte pode ter defeitos — e o longa tem, mas passa longe de ser um produto encaixado em padrões.
 
 
Sobre o que trata Moonlight? Eis a dificuldade. À primeira vista, soa fácil dizer que se está diante de um longa que fala sobre o que é ser gay, negro e periférico. É isso também, mas é muito mais. Moonlight fala sobre ser humano, sobre a construção de uma identidade e aproveita para trazer à luz esses temas tão urgentes.
 
O longa apresenta a trajetória de Chiron em três fases: infância, adolescência e idade adulta. No começo, o menino se sente diferente de todos os outros colegas por não se encaixar em um padrão heteronormativo e machista. A mãe, viciada em drogas, é ausente. 
 
 
 
O refúgio está paradoxalmente na figura do traficante Juan, que tenta mostrar a Chiron que não há anormalidade nas suas diferenças. E ele conhece, talvez pela primeira vez, um afeto verdadeiro.
 
Interpretado com maestria por Mahershala Ali (sempre lembrado por House of cards), o personagem Juan é uma construção diferente e ousada de um traficante. Ele salva Chiron de uma situação de risco e passa a protegê-lo, mesmo sabendo que as drogas que destroem a vida da mãe do garoto são vendas suas.
 
Da infância chega-se à adolescência, às descobertas sexuais, aos desejos reprimidos por não se ver como os outros e a construção de laços afetivos que se estreitam, mas se quebram (ainda que depois possa haver a sugestão de que eles vão se refazer). Há também a explosão: uma raiva contida por muito tempo, muito pela ausência de reação a todas as humilhações, aparece repentinamente e provoca uma prisão que vai ajudar a torná-lo outro.
 
O salto para um Chiron adulto e endurecido pela vida mostra como o conjunto de experiências pelas quais passamos e as pessoas que nos envolvem moldam o que vamos ser e constroem (ou destroem) a nossa identidade. Moonlight, no fundo, é sobre isso: entender o que se é e perceber que a vida pode nos fragilizar ou nos endurecer (ainda que seja muito complicado compreender o que é ser forte ou o que é ser frágil).
 
Para muita gente, Moonlight é um filme quase sem defeitos. No entanto, há uma pressa que incomoda (fruto da necessidade passar pelas três fases), tudo anda muito rápido e fica a sensação de que havia uma profundidade maior dentro dali. A opção pela sutileza, pelo não dito é bonita e louvável, mas falta algum mergulho em meio à beleza de tanta poesia, significados e complexidade.


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