Brasília-DF,
15/JUL/2018

Leia crítica de 'A forma da água', novo filme fantástico de Guillermo del Toro

Romance com toques surrealistas é recordista de indicações ao Oscar deste ano

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Ricardo Daehn Publicação:02/02/2018 06:00Atualização:01/02/2018 15:42
A forma da água concorre a 13 Oscar e pode consagrar o diretor Guillermo del Toro (Fox Searchlight Pictures/Divulgacao)
A forma da água concorre a 13 Oscar e pode consagrar o diretor Guillermo del Toro
 
Este ano, nos registros do Oscar, só um filme tem potencial para superar as 11 estatuetas de Titanic: A forma da água, nascido da inventiva mente do mexicano Guillermo del Toro. Uma pena porém que as 13 indicações para a estatueta dourada tenham vindo tão tarde para Del Toro, que, há 11 anos, teve uma única candidatura, pelo roteiro de O labirinto do fauno, um filme muito mais original e denso.

Rendido a um mix entre A bela e a fera, homenagens a fitas clássicas de monstros e tópicos de La la land e O artista, Del Toro embala uma bela história de amor que reitera o teor fantasioso dos títulos anteriores defendidos pelo cineasta. Como produtor de filmes como a animação A origem dos guardiões e diretor de longas como Hellboy, Del Toro sempre confirmou certa queda pelo visual arrojado e conteúdo cintilante que lembra o francês Jean-Pierre Jeunet (O fabuloso destino de Amélie Poulain). Em A forma da água, não é diferente.

Na trama, uma faxineira falastrona e protetora (a amável Octavia Spencer) é uma espécie de amuleto na vida da colega Elisa (a excepcional atriz inglesa Sally Hawkins, indicada ao Oscar), muda, e também servente nas instalações subterrâneas de um centro de pesquisas aeroespaciais norte-americano.

Elisa curte cinema musical e agita os tempos de folga ladeando o vizinho gay, um solteirão adorador de filmes na tevê. Vale a lembrança de que o Oscar de atriz já foi parar nas mãos de Holly Hunter, a pianista Ada, em O piano (1993), e de Malee Matlin, por Os filhos do silêncio (1986), ambas à frente de personagens mudos.

O aparecimento de dois personagens, no dia a dia da sonhadora Elisa, formam o mote de A forma da água: de um lado, surge uma criatura (vinda dos rios amazônicos), que calibra as intrigas presentes na época dos anos da Guerra Fria, e, de outra parte, um homem abusivo, machista e dominador que atende por Strickland (Michael Shannon).

Ambos, no ambiente de trabalho de Elisa, transtornam o cotidiano. Identificada com a monstruosa criatura, repleta de brilho e belas cores, a mocinha adota uma estratégia de conquista que traz da audição de discos de vinil a banquetes com ovos.

Não é por acaso que Guillermo del Toro usa, no longa, cenas de A história de Ruth (1960), filme do alemão Henry Koster que mostra uma figura bíblica capaz de abraçar, voluntariamente, outra cultura. De quebra, o belo romance ganha trilha sonora inspirada de Alexandre Desplat e um narrador brilhante, com a voz de Richard Jenkins.
 
 
 
 

Sem falar, elas estiveram no Oscar

 
Confira outras personagens mudas candidatas ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas:

> Peppy Miller, papel da coadjuvante Bérénice Bejo, em O artista.

> Hellen Keller, a cargo da melhor atriz coadjuvante Patty Duke, em O milagre de Anne Sullivan (1962)

Belinda (1948) rendeu o Oscar a Jane Wyman, intérprete de uma mulher estuprada.

> Hattie foi vivida por Samantha Morton, na comédia Poucas e boas (1999), de Woody Allen.

> A descolada Chieko de Babel deu destaque para a atriz coadjuvante oriental Rinko Kikuchi, em 2006

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