Brasília-DF,
21/NOV/2019

Musa verde e rosa: Maria Bethânia é destaque da produção 'Fevereiros'

De Marcio Debellian, o documentário tem estreia marcada para este fim de semana

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Ricardo Daehn Publicação:01/02/2019 06:00
Documentário parte da escolha da Mangueira em ter Maria Bethânia como inspiração, há dois anos (ArtHouse/Divulgação)
Documentário parte da escolha da Mangueira em ter Maria Bethânia como inspiração, há dois anos


Há um momento no documentário Fevereiros, assinado por Marcio Debellian, em que a cantora Maria Bethânia assegura ter a capacidade de “alegrar o espírito dos mortos”; enquanto, noutro, a estrela dos palcos e “menina de Iansã” conta da serenidade do irmão Caetano Veloso, ao se afirmar Deus, dando prosseguimento à extensão da figura divina que “fagulha em cada um de nós”.

Brejeiro e com a alma gaiata da ilustre baiana, mas, acima de tudo, interessante, o filme de Debellian se vale das pontes de temas afins que juntam a serelepe e leve caminhada de Bethânia, incluindo a resolução da Estação Primeira de Mangueira para que ela fosse contemplada como tema da escola e o contexto de vida que intensificou o contato entre a intérprete de Ronda, que acumula mais de 50 anos de carreira, com o Brasil que cultua.
 
 
Cicerone perfeito para o passeio entre crenças e o entendimento das raízes da “voz-pessoa” da cantora com timbre de “cobre e água marinha” (como destaca Caetano) é carnavalesco Leandro Vieira que, para o tema do carnaval da Mangueira de 2016, apostou no “Brasil que vale a pena”, aquele com brasileiros atolados no “chão de massapé” e dos ambientes abundantes de “perfume de cana”.

Como ele mesmo descreve, Bethânia encerra a tradição: “olhar para a frente, trazendo o que ficou para trás” — uma qualidade capaz de gerar tolerância.

Com preciosa edição de Diana Vasconcellos (de As alegres comadres e Vida de menina), o filme deixa entrever o toque do roteirista do delicado Palavra (en)cantada. Entram em cena figuras como João da Baiana (morto em 1974), que conta da proibição de samba e de pandeiro; Carlos Cachaça (morto em 1999), que comenta como a “macumba virava samba” e Mãe Menininha do Gantois (falecida em 1986), um dos poços de sabedoria no andar de Maria Bethânia.

Se cinema é traçado de luzes e cores, Bethânia complementa o cenário com a comunidade da Mangueira, trazendo um feixe de alegria e um caminhar descompromissado. Devota inconteste de Nossa Senhora Aparecida, ela revela o apego por estar em Santo Amaro (Bahia), nos festejos de imagens que a religam à força positiva das crenças, e fala da importância de, em menina, ter coroado Nossa Senhora — com a relevância de ter feito o show Opinião ou mesmo de ser homenageada pela Mangueira.
 
 

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