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22/SET/2021

Grande Otelo marca história de Feitiço Mineiro

"Sempre que estava em Brasília, Grande Otelo procurava o Feitiço Mineiro", diz o empresário Jorge Ferreira

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Publicação:21/06/2013 06:06Atualização:20/06/2013 17:20

%u201COs últimos momentos de boas lembranças da vida dele foram comigo%u201D Jorge Ferreira dono do Feitiço Mineiro
 (Ed Alves/CB/D.A Press)
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Jorge Ferreira é um colecionador de boas histórias. Mas, a que conta a seguir tem um gosto especial. O cenário é o tradicional Feitiço Mineiro, um de seus 12 bares. O protagonista, Grande Otelo, um ator único. Antes de o artista morrer, de um infarto súbito em Paris, o empresário e poeta praticamente serviu sua última refeição, acompanhada, é claro, de uma boa conversa com reminiscências do passado. Foi assim que surgiu a pergunta (em tom de brincadeira): afinal, como Jorge Ferreira matou Grande Otelo?

"Sempre que estava em Brasília, Grande Otelo procurava o Feitiço Mineiro. Em 25 de novembro de 1993, estávamos eu, o Tadeu Franco e os nossos produtores almoçando. De repente, Otelo vem ao nosso encontro. Começamos a conversar. Ele comentou com Tadeu Franco a respeito de sua origem mineira. Estava comendo algumas carnes de panela e disse que aquilo tinha gosto de infância. Uma comida com sabor de Minas, que não saboreava há muito tempo. Ficou muito emocionado (embalado por algumas cachaças que já tinha tomado também).

Realmente, vi um Grande Otelo sensível, que chorava muito. Quando Tadeu tocou algumas cantigas regionais, as lágrimas escaparam sem rodeios do ator. Otelo foi uma pessoa diferenciada: era baixinho e negro, em uma sociedade dos anos 1920. Isso foi muito difícil para ele. Ao mesmo tempo, foi uma dádiva. Sua vida pessoal foi muito sofrida, mas, intelectualmente, ele era um gênio.



A mistura de uma boa conversa com reminiscências do passado, da carne e da cachaça, o lembraram do Cassino da Urca e o interior de Minas. É como diz o Drummond: eu sou da roça e do elevador. Isso estava muito posto à mesa. No dia seguinte, Otelo seria homenageado no Festival de Cinema de Nantes, no oeste da França. Ele adiou o voo várias vezes, e saímos do Feitiço por volta de 20h. Otelo nem passou em casa. Pegou um voo noturno do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para o Charles de Gaulle, em Paris.

Quando desembarcou na Cidade Luz, pela manhã, chegou caminhando ao aeroporto. Inesperadamente, teve um infarto e morreu. Quando soube que ele acabara de morrer, pensei: ‘Será que sou culpado?’. Meus amigos brincam até hoje dizendo fui que eu quem matei o Grande Otelo. No entanto, faço uma releitura: os últimos momentos de felicidade e de boas lembranças da vida dele foram comigo."

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