Brasília-DF,
17/SET/2019

Cozinha norte-americana chama atenção por atender vários paladares

A proximidade com o México dá liberdade aos chefes para criarem pratos com pimenta e chili

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Vinicius Nader Publicação:12/07/2013 06:00Atualização:11/07/2013 17:12

'Considero esse prato (o jambalaia) a cara da miscigenação da colonização observada nos EUA'
Fernando de la Rocque, chef
 (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
"Considero esse prato (o jambalaia) a cara da miscigenação da colonização observada nos EUA" Fernando de la Rocque, chef

Yes, os Estados Unidos têm gastronomia além dos conhecidos sanduíches com maionese e bacon. O que não significa a existência de um prato típico ou a identificação de um traço específico na culinária do país que criou tantos ícones da cultura pop, como o Super-Homem, primeiro herói em quadrinhos e que hoje faz sucesso nas salas de cinema. Na verdade, as influências são tantas que poderíamos falar numa verdadeira babel gastronômica com toques ingleses, franceses, mexicanos e chineses, entre outros.


"A colonização dos EUA é muito variada, com a presença de povos de muitas nacionalidades. Por isso cada região do país apresenta influências diferentes", afirma Gustavo Maragna, chef e professor do restaurante-escola do Senac. Ele exemplifica dizendo que no Oeste norte-americano a proximidade com a fronteira com o México dá espaço à cozinha que chamamos de tex-mex, com tortillas, chili e outros pratos com a forte presença de milho e pimenta. Já no Nordeste, quem dá as cartas são os ingleses, com delícias, como o cachorro-quente, a batata recheada, o cheese cake e o brownie.

Segredos do jambalaia


Já ao sul e sudeste do país, nas regiões de Lousiana e Mississipi, a influência é mista. Segundo o professor, essa é a região com mais identidade gastronômica. “Tanto os franceses quanto os escravos deixaram suas marcas na região. E também não podemos deixar de citar os índios”, destaca Gustavo. Como a região é bem pantanosa, carnes de tartarugas e lagostins eram as preferidas dos franceses. Dos índios vieram ingredientes da qualidade do milho, do feijão e da abóbora, e dos negros, condimentos (pimenta e os pratos preparados em uma panela só). O tabasco, aliás, é originário desta região.


O resultado dessa mistura pode ser verificado em pratos, como o jambalaia, que, em Brasília, pode ser apreciado aos domingos no bufê do restaurante Carpe Diem da 104 Sul, que custa R$ 52, por pessoa, e também oferece outras delícias, a exemplo de massas, risotos e carnes. “Esse é um prato característico do sul dos EUA, mas não é mais do que uma releitura da paella com toques dos colonizadores daquela região”, define o chef do restaurante Fernando de la Rocque.

O chef explica que esse tipo de comida foi levada para os EUA por franceses expulsos do Canadá. Em terras americanas, o prato ganhou o reforço de temperos como a páprica. Além deste ingrediente, o jambalaia reúne arroz, açafrão, frutos do mar (lula, camarão e mexilhões), frango, linguiça suína, carne de porco, presunto, vinho branco, ervas frescas, tomilho e tabasco.


“Considero esse prato a cara da miscigenação da colonização observada nos EUA", afirma Fernando, que serve o jambalaia com algumas adaptações em sua casa. Na versão dele, o prato chega à mesa com menos páprica do que a receita original, "que é bem carregada", e preparada com arroz parbolizado, "e não com o arbório, como é encontrado nos EUA".

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