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Em entrevista, gerente comemora o crescimento de venda de vinhos

Em 2012 o mercado de vendas cresceu 26% comparado ao ano anterior

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Publicação:19/07/2013 06:04Atualização:18/07/2013 13:55

José Filho Muniz: 'O malbec argentino, por exemplo, é muito procurado. A cabernet sauvignon deles também'
 (Bruno Peres/CB/D.A Press)
José Filho Muniz: "O malbec argentino, por exemplo, é muito procurado. A cabernet sauvignon deles também"

A importadora Enoteca Decanter, com sede em Blumenau (SC) é uma das 10 maiores do país. Fundada em 1997, hoje ela está presente em 17 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde tem loja recém-instalada na 208 Sul. Com o mercado em ascensão, o gerente comercial da loja brasiliense, José Filho Muniz, comemora o crescimento de 26% em 2012 em relação ao ano anterior e espera para este ano um incremento de 20% nas importações da Decanter. "O consumo de vinhos no Brasil cresce por um fator cultural. O público conhece e consome cada vez mais. Tenho clientes que só bebiam uísque e agora passaram para o vinho", destaca.

As importações de vinhos crescem a cada ano. A que se deve esse movimento no mercado?


Verificamos uma evolução anual no mercado de importação de vinhos. Nossa expectativa, mesmo com a crise econômica, é crescer 20% este ano. Isso acontece porque o poder de consumo do brasileiro está maior. Além disso, a cultura de vinhos no Brasil está crescendo. Não é só o consumidor que vem aqui e compra uma garrafa de vinho. Nos restaurantes, os pedidos de vinho também estão aumentando. E a procura por cursos na área está maior. Há mais interessados no assunto. Achei que, com a aprovação da lei seca, nossas vendas fosse cair, mas isso não aconteceu. Tivemos um impacto apenas no mês de março, mas depois voltou ao normal.

Há países que se destacam nas prateleiras das importadoras brasileiras?


Sim. Noto que o brasileiro tem preferências por algumas uvas e regiões. O malbec argentino, por exemplo, é muito procurado. A cabernet sauvignon deles também tem uma saída muito boa, porque é uma uva que se adapta muito bem ao solo argentino, apresentando equilíbrio entre tanino, acidez e maciez e não ficando tão seco. Do Velho Mundo, os rótulos da Itália e da França são os que mais importamos.

 

Por que a procura por vinhos nacionais é menor do que a por estrangeiros? Nossos vinhos ainda não são tão bons?


O principal entrave não é a qualidade. É o preço, a relação custo-benefício. Se pegamos um vinho nacional com o custo de R$ 50, encontramos na mesma faixa rótulos argentinos e chilenos com qualidade muito superior. E com R$ 20, R$ 30 a mais encontram-se os europeus, que também são superiores. A causa disso são os altos impostos que o produtor brasileiro paga. Os produtores tentaram baixar essas taxas perante ao governo federal, mas não conseguiram. Mas, com tudo isso, a procura por vinhos nacionais tem crescido, especialmente pelos espumantes. Acabou esse preconceito com os espumantes, que eram usados apenas em comemorações. E, nesse caso, os rótulos brasileiros se equiparam - alguns até superam - aos chilenos e aos argentinos.

O mercado internacional apresentou alguma novidade nos últimos tempos?


Na verdade não é uma novidade. É um resgate do qual eu, pessoalmente, gosto muito. É a volta da produção de vinhos em ânforas. Nesse tipo de produção, as uvas ficam mais em contato com as cascas, o que deixa alguns aromas mais complexos, como notas de barro no fim da degustação. Além disso, o processo de fermentação desste vinho é mais natural, não tem química. Alguns até podem ser considerados 100% naturais. Uma curiosidade é que esses vinhos, quando provenientes de uvas brancas, podem ser classificados como laranja, por causa da cor, que têm o mesmo tom de rótulos envelhecidos.
 

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