Brasília-DF,
26/SET/2021

Majestosa figura dos bares brasilienses, Cícero Rodrigues é terapeuta e casamenteiro na noite

"Eu atendo e já faço amizade. Se não fizer na primeira oportunidade, faço na segunda", conta o garçom do Beirute

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Rebeca Oliveira, especial para o Correio Publicação:26/07/2013 06:14

Cícero conquista os clientes com simpatia e uma boa prosa (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
Cícero conquista os clientes com simpatia e uma boa prosa

Cícero Rodrigues dos Santos. Quem lê o nome desavisado talvez não o associe à majestosa figura dos bares brasilienses. Acrescente o local de trabalho e o imbróglio se resolve: Beirute (da 107 Norte).

Sempre levando na bandeja uma cerveja gelada e um bom papo: da política a uma dor ou a uma conquista... Cícero diz que tudo cabe na mesa de bar. “Eu atendo e já faço amizade. Se não fizer na primeira oportunidade, faço na segunda, com certeza”. A vida dele é entrelaçada ao Beirute, onde bate ponto desde os 27 anos. Agora, tem 64. Em 2008, recebeu o título justo: cidadão honorário de Brasília. Pôde ser visto nas telonas no filme Somos tão jovens, baseado na vida de Renato Russo. São 36 anos de histórias que ele recorda com zelo. “Daria para publicar um livro”, afirma. Enquanto o livro não sai, Cícero compartilhou algumas delas com o Divirta-se Mais.

O terapeuta

“As pessoas vêm dispostas a conversar. Algumas chegam meio deprimidas, com problemas, procurando alguém para dividir isso. O bom garçom é como um conselheiro. É um psicólogo! Ele se enturma com as pessoas de tal maneira que pode até evitar problemas. Certa vez, um cliente me disse que estava prestes a cometer um desastre. Estava armado e, naquele dia, mataria alguém. Eu disse: ‘Tira isso da sua cabeça!’. Falei para ele que isso não existia e expus os resultados de atitude tão dramática. Perguntei: ‘Como fica sua situação?’. O rapaz seria preso e a vida não ia voltar atrás. O que ele fizesse ia doer pelo resto da vida. Disse que ele levaria um choque se cometesse alguma besteira. Não seria ele. No outro dia, ele retornou ao bar, veio em minha direção e disse: ‘Cícero, obrigado. Você me ajudou muito’. E eu, com bom humor, respondi que se a gente não puder ajudar, pelo menos, que não atrapalhe. Atualmente, ele é uma pessoa tranquila e feliz. Me agradece até hoje por isso. A minha recompensa é saber o que construí de bom naquela pessoa.”

O casamenteiro


“Já fui cupido de dois casamentos. Sempre que vejo duas pessoas que combinam uma com a outra, dou aquela forcinha. Certa vez, um rapaz estava em uma mesa e a moça na outra. Até aí, nada demais. Só que ele me perguntou sobre a garota e o que eu achava dela. Disse que eles dariam certo. Então, ele me pediu que levasse um bilhetinho à moça. Eu entreguei e disse: ‘Não me comprometa se você for comprometida’. Mas ela estava sozinha e correspondeu ao rapaz. Depois desse momento, eles passaram a sair juntos. A partir daí, é história… Eles tiveram um casal de filhos, que já estão adultos. Continuam juntos até hoje. Já saí até em álbum de casamento de outro casal, que frequentava o Beirute. A noiva veio de táxi, toda vestida, em pleno Beirute. Achei estranho. Perguntei o que havia. De pronto, ela me respondeu: ‘Nada disso. Vim tirar uma foto com você para colocar no meu álbum’. Questionei o porquê, e ela, sem titubear, falou que eu era uma pessoa importante na vida deles. Eles estão muito bem-casados há uns 10 anos.”

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