Brasília-DF,
22/SET/2021

Restaurantes deliveries marcam lugar no universo gourmet

É o caso da Pizzaria do Rubinho que atualmente tem o filé à parmegiana mais comentado da cidade

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Rebeca Oliveira, especial para o Correio Publicação:02/08/2013 06:16Atualização:01/08/2013 16:35

Rubinho: cardápio variado (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
Rubinho: cardápio variado

Os restaurantes deliveries fincaram seu lugar no universo gourmet: prova disso foram os R$ 8 bilhões movimentados no setor no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em 2005, o mineiro Rubem Ferreira da Costa fundou a Pizzaria do Rubinho, em Águas Claras.

Logo a pizzaria se tornou um restaurante, com um filé à parmegiana (a partir de R$ 18) mais comentados da cidade. Não era uma comida à la carte qualquer. Tinha um toque caseiro “com cara de mãe”, como Rubinho costuma dizer. O sucesso foi arrebatador.


Há um ano e meio, o empresário criou o serviço de tele-entrega, o Tele-Itália. Os pedidos se avolumaram. Hoje, as entregas delivery na região de Águas Claras se igualam aos clientes do restaurante fixo. “O público se cansou de fast-food”, afirma Rubinho.

Gleidson Augsue, proprietário da Mixido Express, ressalta que as pessoas não têm o mesmo tempo de antigamente para se alimentar. Em seu delivery, quem compra uma porção, grande ou pequena tem direito a uma base de arroz e de feijão, um tipo de carne e três ingredientes (a partir de R$ 10,90). Nesse quesito, o Mixido se destaca. As opções são abundantes: 21 tipos de hortaliças e vegetais à escolha. Ganha o cliente, que não dispensa bons hábitos à mesa.

Para Roberto Brito, do restaurante japonês Sushisan, a vida em grandes centros urbanos exige tudo com muita urgência. “Buscamos otimizar tudo ao máximo, inclusive as refeições”, diz Brito. Todos concordam que resultado positivo se deve a múltiplos fatores: o ritmo acelerado nas grandes cidades; a nova identidade das famílias brasileiras; a inserção das mulheres no mercado de trabalho; os altos custos de trabalhadores domésticos. Tudo isso fez com que o ato de cozinhar seja, aos poucos, substituído pela cozinha delivery.

 

Entrevista com Rubem Ferreira, Gleidson Augsue e Roberto Brito.

A que atribui o sucesso do serviço delivery? O público se cansou de fast food?


Rubem Ferreira: Sim, hoje há uma busca pela comida com gostinho caseiro. A comida que a mãe prepara. E tem um outro fator: a rotina das pessoas anda cada vez mais corrida. Não há mais aquele tempo para preparar comida, selecionar ingredientes, ir ao mercado… O comércio que oferece uma comida saudável e que lembra a comida de casa, à moda antiga, faz muito sucesso.

 

 (	Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)


Gleidson Augsue: Não, as pessoas não se cansaram ainda de fast food. Acredito que o delivery faz sucesso primeiro pela comodidade. E também pela falta de tempo dos clientes. As pessoas não têm mais tempo de sair por mais de duas horas para almoço, e ele vem suprir essa falta de tempo.

Roberto Brito: Acredito que a vida agitada e a correria do dia a dia tem feito com que cada vez mais pessoas tenham se tornado adeptos do delivery. Assim, conseguem ganhar tempo e comodidade pedindo no escritório ou em casa. O sushi vem como opção de alimentação saudável e leve ao tradicional fast food.

Isso reflete uma mudança na sociedade, certo?


Rubem Ferreira: Exatamente. Hoje o marido e a mulher trabalham fora. O casal passa o dia em suas atividades profissionais e chegam em casa cansados demais para cozinhar. As rotinas são diferentes.

Gleidson Augsue: O serviço vem aumentando cada vez mais. Mesmo aos finais de semana, quando as pessoas estão em casa, a demanda tem crescido muito. O brasiliense tem o hábito de comer fora. Não é a toa que têm tantas opções de deliveries e muita gente vem surgindo com essa proposta mais acessível.

Roberto Brito: Sem dúvida essa mudança de hábitos é um reflexo da sociedade. A cada temos menos tempo e buscamos otimizar tudo ao máximo, inclusive as refeições. Um ponto interessante nessa mudança é que mesmo nessa agitação do cotidiano as pessoas tem se preocupado com a saúde. Os consumidores têm procurado bastante por essa alternativa de alimentação saudável que é a culinária japonesa.

A inserção da mulher no mercado de trabalho influenciou?

Rubem Ferreira: Muito! Mudou até a estrutura das residências. Basta observar a cozinha de maior parte dos apartamentos mais novos. Elas não são feitas para cozinhar. São pequenas. Não tem mais aquela história de chegar em casa e preparar o jantar. Alias, a maior parte dos pedidos feitos durante a semana são a noite. É nosso maior movimento. Durante o fim de semana, é no almoço.

Gleidson Augsue: Acho que o fato da mulher ter inserção no mercado de trabalho e dividir a responsabilidade financeira com o marido deve ter influenciado, não só no aumento do delivery, mas também nas refeições servidas fora de casa.

Roberto Brito: As mulheres vem ditando as regras do consumo a algum tempo! Na minha opinião, é clara sua influência nas tendências de consumo em todos os mercados.

Quais os pratos mais pedidos no delivery?

Rubem Ferreira: O campeão é o filet a parmegiana, que pode ser tanto de carne quanto de frango. O nosso segredo é o molho de tomate, que é feito com condimentos naturais, sem nenhum conservante. Acreditamos que o maior sucesso do prato é isso. O segundo mais pedido é o filet de salmão e o terceiro, é a picanha.

Gleidson Augsue: Temos dois tamanhos de prato, e o que mais vendemos é o pequeno (R$ 10,90), de 200g. Ele atende super bem uma pessoa. É possível colocar uma carne, três ingredientes (hortaliças e vegetais), além da base de arroz e de feijão. Oferecemos nove tipos de carnes: em tiras, seca, frango desfiado e em tiras, bacon, lombo de porco, peito de peru e a calabresa. São 21 tipos de vegetais para a pessoa escolher.

Roberto Brito: O carro chefe no delivery é sem dúvida o sushi e o sashimi. Mas, também temos muita procura pelos yakisobas, temakis, shimeji e rolinhos primavera.

Como começou o serviço de entrega em casa?


Rubem Ferreira: Esse serviço existe há um ano e meio. Antes, as pessoas tinham que se dirigir ao restaurante e buscavam a refeição para comer em casa. Decidimos abrir uma cozinha só para a entrega, com um serviço diferente, com mais dedicação. Estávamos durante todo esse tempo entregando somente em Águas Claras. Há três meses, abrimos um restaurante com delivery em Taguatinga também. Observamos que as pessoas gostam mais de comer em casa, por toda a dificuldade com o trânsito, por exemplo.

Gleidson Augsue: Começamos em fevereiro, está completando cinco meses.

Roberto Brito: Iniciamos o delivery logo que percebemos que a demanda por esse serviço era grande. Tivemos muita procura através de telefonemas e sugestões de clientes que se diziam interessados. Hoje temos um cadastro de aproximadamente 5 mil clientes de delivery.

O movimento do serviço delivery supera o do restaurante?

Se comparmos com os clientes só de Águas Claras, sim. Mas, o restaurante recebe muitos clientes que vem de outros lugares de Brasília, como Sudoeste, Asa Norte e Sul, Guará… Esse movimento ocorre geralmente no fim de semana, que não fica restrito ao morador de Águas Claras.

Gleidson Augsue: Ainda não. Mas representa 30% de todo o faturamento do Mixido Express.

Pretende expandir sua atuação em Brasília?

Assim que consolidarmos o serviço em Taguatinga, vamos partir para o Guará. Isso irá acontecer até o fim do primeiro semestre, por volta do mês de julho. E até o fim do segundo semestre, pretendemos abrir lojas no Sudoeste ou na Asa Norte.

Gleidson Augsue: Tenho duas lojas proprias e uma franquia. Temos um projeto para inaugurar mais uma loja no Sudoeste e previsão de mais seis franquias no ano que vem.

Roberto Brito: O movimento do restaurante ainda é muito superior ao do delivery. Porém, notamos que ainda há bastante espaço para crescimento. Estamos estudando para o segundo semestre um investimento nessa área.

O que os clientes comentam sobre o delivery?


Felizmente, a maioria dá um retorno muito positivo. Costumamos dar o prazo de 30 minutos de entrega para a semana e no fim de semana, pode chegar a até uma hora.

Gleidson Augsue: Comentam que é uma comida rápida, já que nossa média de tempo é de 20 minutos. E também comemoram, porque é boa, barata e tem um gostinho de comida.

Roberto Brito: O cliente do delivery é tão exigente quanto o cliente que vem ao restaurante. Quer a mesma qualidade apresentada nos pratos servidos na casa e claro, que chegue rápido!

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