Brasília-DF,
17/SET/2021

Técnica da compostagem realça o sabor de vegetais e frutas

Mesmo com o crescente uso de agrotóxicos, produtos naturais ganham espaço nas cozinhas

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Paulo Lima Publicação:19/09/2013 08:33Atualização:19/09/2013 09:48

Quiche com alho-poró orgânico (Paulo Lima/CB/DA Press)
Quiche com alho-poró orgânico
Pirenópolis (GO) e Brasília — Frutas, legumes e verduras. Nem sempre render-se ao trio é garantia de que a saúde terá papel privilegiado nas refeições. De acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, nos últimos 10 anos, o mercado mundial de agrotóxicos teve aumento médio de 93%. No mercado brasileiro, porém, o crescimento foi de 190% no mesmo período. Só em 2011, 853 milhões de litros de agrotóxicos foram pulverizados nas lavouras nacionais. O cenário preocupa especialistas, que pregam e trabalham pela disseminação da produção orgânica. Além de proporcionar o bem-estar, a refeição livre de defensivos e pesticidas traz de volta um benefício bastante valorizado pelos experts da cozinha: o verdadeiro sabor dos ingredientes.

“A adição de temperos diversos e de corantes faz com que as pessoas percam a capacidade palatável, e isso influi no prazer de comer. Assim, alimentar-se vira uma atitude apenas para saciar a fome”, analisa a antropóloga Kátia Karam. O próprio aspecto visual dos alimentos já indica que as habilidades gustativas serão “enganadas”. A cenoura livre de agrotóxicos, por exemplo, é mais brilhante e tem a cor alaranjada predominante. Já o tomate que nasce à base de compostos químicos “é mais arenoso e não tem o real gosto da fruta”, ensina Sérgio Batista, professor de culinária de criação na Universidade Estadual de Goiás.

Criado pelo cozinheiro italiano Carlo Petrini, o slow food tem, entre os pilares, a melhor apreciação da comida, a busca pela qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. O movimento inspirou, na semana passada, em Pirenópolis, o Festival Internacional de Cinema e Alimentação – 4º Slow Filme, que disseminou a importância dos cuidados com a alimentação por meio da exibição de filmes nacionais e estrangeiros.

A cidade goiana vive essa preocupação em suas terras. Na chácara Mar e guerra, o produtor familiar Geraldo Vilela modificou a forma de cultivo. As hortas são feitas com adubo de restos de comida para não comprometer o solo nem o alimento. Chamada de compostagem, a técnica envolve ainda a mistura de folhas e papel, transformados em matéria orgânica por meio de um processo biológico. O resultado pode ser observado na mesa, com frutas e vegetais frescos, gostosos e saudáveis.

 

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