Brasília-DF,
20/JUL/2018

Do fogo ao movimento slow food, série do Correio mostra como homem evoluiu à mesa

A relação do homem com a comida é um cardápio das transformações vividas desde a antiguidade

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Isabela de Oliveira Publicação:26/12/2013 07:57Atualização:26/12/2013 08:06

Ana Rosa explica que antes de dominar o fogo, o homem tinha que comer o que caçava e coletava (Carlos Vieira/Esp.CB/D.A Press)
Ana Rosa explica que antes de dominar o fogo, o homem tinha que comer o que caçava e coletava

Há 10 mil anos, o homem observava o comportamento da Lua para prever os resultados da colheita. Alguns desses traços primitivos da agricultura permaneceram e se misturam a processos cada vez mais modernos da produção de alimentos. Um caldeirão de práticas que contam, na mesa, algumas das transformações mais importantes da humanidade.

A produção de excedentes agrícolas e o desenvolvimento de sistemas coletivos de armazenamento e irrigação, por exemplo, permitiram que as sociedades iniciassem o processo de centralização política. Assim, rituais de fertilidade e banquetes passaram a ilustrar a história. Nos séculos 17 e 19, a comida ganhou outra serventia. Tornou-se arma de guerra em conflitos militares e o estopim para revoltas contra a distribuição desigual de recursos. Ganharam força a industrialização, com o aumento da produção e a disseminação do fast-food, e um mais recente movimento de desaceleração das práticas alimentícias, como o slow food e a valorização dos orgânicos.

Mas, para que tantos episódios da história pudessem ser escritos, o homem precisou dominar a agricultura, principal ferramenta no desenvolvimento da organização alimentar. O cultivo de plantas e, de quebra, de animais domésticos emergiu de forma independente em momentos e lugares distintos do planeta. Ele já estava bem-estruturado no Oriente Médio 8,5 mil anos a.C. e na China 7,5 mil anos a.C. Na América, os nativos plantavam 3,5 mil anos a.C.


Ana Rosa Domingues, especialista em gastronomia e antropologia dos alimentos e professora do Centro de Turismo da Universidade de Brasília (UnB), explica que, antes de dominar o fogo, o homem tinha que comer o que caçava e coletava. No entanto, o cardápio era muito limitado às vontades da natureza. “O normal era comer o que era fácil de ser digerido, ou seja, coisas cruas. Um arroz ou um feijão cru é mastigável, mas difícil. O fogo trouxe facilidade”, diz.

O domínio sobre natureza aconteceu entre o Paleolítico e o Neolítico, e foi a grande mudança que permitiu a organização das cidades. O homem passou a entender os ciclos da natureza e a produzir o próprio alimento. “No início da pecuária, o cultivo era de animais muito pequenos, inclusive a lesma. Afinal, é mais fácil criar gado ou um jardim de caracóis?”, explica Domingues.

 

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.

BARES E RESTAURANTES

CINEMA

TODOS OS FILMES [+]

EVENTOS






OK