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20/SET/2017

Comidas que envolvem superstições do Ano Novo são servidas no Marzuk

Lentilha, carneiro, leitão e peixe são opções para a festa de fim de ano. Apesar da tradição, chef de restaurante árabe descarta o misticismo

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Rebeca Oliveira Vinicius Nader Publicação:27/12/2013 06:06Atualização:27/12/2013 09:14

Arroz com lentilha e cafta de carneiro do Marzuk: tradição árabe sem misticismo
 (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press)
Arroz com lentilha e cafta de carneiro do Marzuk: tradição árabe sem misticismo

Há quem acredite que a lentilha deve ser o primeiro prato a consumir após a virada de ano. O grão, que tem fama de atrair riqueza, está presente o ano inteiro no cardápio do Marzuk Empório Árabe. Mas, segundo o chef Isaac Elias Júnior, isso nada tem a ver com superstição. “Não há esse misticismo nos países árabes. Eles não admitem esse tipo de crença”, alega.

O arroz tem um preparo simples: leva apenas azeite, sal, lentilhas e cebolas fritas e carameladas, que dão a cor escurecida da iguaria. O segredo é o acréscimo de snoubar ou pinoli, uma noz com um sabor semelhante ao das castanhas. O arroz com lentilhas custa R$ 46 o quilo e pode ser escoltado por uma coalhada fresca (R$ 47,90 o quilo).

Já no Lagash, Fátima Hamu prepara uma reconfortante sopa de lentilhas. O prato não faz parte do cardápio, mas a chef-proprietária abre uma exceção para quem requisita a saborosa sopa (R$ 60 o quilo), principalmente em dezembro. “As encomendas dos pratos com lentilha mais que dobram nessa época do ano”, calcula Fátima. O arroz com lentilhas do Lagash também é vendido no quilo, a R$ 60.


Sempre seguindo em frente

Pernil de cordeiro com molho de romã servido no Lagash: sorte em dobro (Gustavo Moreno/CB)
Pernil de cordeiro com molho de romã servido no Lagash: sorte em dobro

Outro costume gastronômico relacionado ao ano-novo proíbe que carnes de animais que andam ou ciscam para trás (a exemplo do peru, a galinha e o caranguejo) façam parte do menu. A crendice dita que, ao consumi-los, o restante do ano será de retrocesso. As melhores opções seriam carneiro, cordeiro, leitão e peixes. Mais uma vez, a tradição se inclina naturalmente para quitutes e pratos árabes.

Um exemplo é a cafta de carneiro (R$ 6,90) servida no Marzuk. O quitute leva a carne do animal sovada e temperada com pimenta síria e pimenta-do-reino, hortelã e salsinha. No Lagash, utiliza-se o cordeiro, mais especificamente o pernil. Ele é servido com molho de romã e decorado com tâmaras, peras secas, frutas e castanhas. O pequeno custa R$ 290, e o grande, R$ 360.

Tanto as receitas do Marzuk quanto as do Lagash têm séculos de tradição. São como uma herança de valor incalculável. O restaurante foi idealizado durante um almoço de uma família de origem libanesa e síria. Isaac Elias, Juhan, Paulo e Lícia Cury tocam o empreendimento, inaugurado há quatro anos. “As carnes mais consumidas na nossa cultura são as de carneiro e cordeiro”, afirma Isaac Elias.

Alguns pratos árabes do Marzuk — a exemplo da esfirra, a R$ 4,90 — já foram incorporados ao paladar brasileiro. O Lagash, por sua vez, foi idealizado pelos pais de Fátima Hamu, Alberto e Lenita. Foi com eles que a chef aprendeu a máxima da culinária árabe: não basta preparar pratos saborosos, é preciso dominar a arte de receber bem.

    • 27/12/2013
    • Gastronomia - Confira as opções para o ano-novo do Marzuk Empório Árabe
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