Brasília-DF,
26/MAR/2019

Luis Fernando Verissimo participa da colheita simbólica no Vinhedo do Mundo

O escritor estava acompanhado da mulher e de um amigo próximo ao casal

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Liana Sabo Publicação:07/03/2014 06:11

O escritor gaúcho ressalta a qualidade do vinho brasileiro (Fabiano Mazzotti/Conceitocom Brasil)
O escritor gaúcho ressalta a qualidade do vinho brasileiro

Além da literatura e da música, que domina com maestria, o escritor e cronista Luis Fernando Verissimo, de 77 anos, é um reconhecido amante da boa mesa e dos vinhos finos. E também das coisas de sua terra, por isso, não se furtou em atender convite dos irmãos Dal Pizzol para participar da quarta colheita simbólica no Vinhedo do Mundo — uma coleção de castas provenientes de todos os continentes cultivadas em Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves (RS).

Discreto, lacônico, quase mudo, o escritor gaúcho se retrai diante dos holofotes. Ainda assim, concordou em responder  três perguntas da colunista, depois de ter colhido um vistoso cacho de shiraz do Irã. Verissimo, que adora bordeaux tintos, admitiu que a vitivinicultura brasileira deu um salto de qualidade, especialmente na categoria de espumantes.

Acompanhado da mulher, Lúcia, e de um amigo que levou o casal de Porto Alegre para a Serra Gaúcha, Verissimo não reclamou do calor de 38ºC, que assolou o verão. Apenas se protegeu debaixo de um chapéu de palha, distribuído pelos anfitriões, no modelo semelhante ao usado pelos “colonos”, pessoas que trabalham na terra. Mais magro, o escritor comentou que “por ordem médica, está comendo menos”.

Fanfarra e ópera

Antes do almoço, servido no restaurante da propriedade, à beira de um lago, o escritor acompanhou atento a apresentação da Fanfarra Bersaglieri, conjunto local que executou músicas italianas, demonstrando especial agrado quando ouviu a famosa ária da ópera Nabucco, de Verdi. “É o Va, pensiero”, sussurou Luis Fernando no ouvido de Lúcia.

Uma centena de castas

Xixo é o nome que os gaúchos dão ao espetinho de cubos de carne grelhada intercalada com cebola e pimentões vermelho e amarelo. Nesse dia, o xixo foi feito de filé de frango temperado com muita sálvia e alecrim e servido com batatas assadas ao forno depois de cozidas, uma especialidade da casa, como também é a musse de iogurte com calda de suco de uva. Mas o principal protagonista do cardápio foi o Vinum Mundi 2013, um gran assemblage elaborado por 100 variedades do Vinhedo do Mundo. “Elaborar este vinho é um dos projetos mais desafiadores da Dal Pizzol”, confessou o enólogo Dirceu Scottá.

Com produção limitada, o tinto das 100 castas não é comercializado. “A ideia é definir um valor e vendê-lo com fim beneficente”, informa Antônio Dal Pizzol. De autoria do artista plástico Aido Dal Mas, o rótulo traz uma obra inspirada na vindima. Outras duas artistas locais já foram contactadas para criar os rótulos das próximas safras.

Museu do vinho

Maior das Américas e a terceira coleção privada do planeta, o Vinhedo do Mundo é o resultado da paixão, da dedicação e do entusiasmo do vitivinicultor Rinaldo Dal Pizzol, que se inspirou numa mostra italiana. São oito hectares com 401 plantas distintas, das quais 164 já estão em plena produção. As outras variedades ainda estão vegetando ou nos viveiros.

Além de colecionar castas de 30 países dos cinco continentes, Rinaldo reuniu objetos ligados à produção do vinho — desde saca-rolhas primitivo até utensílios arcaicos — no Ecomuseu da Cultura do Vinho, que recebeu apoio do Ministério da Cultura. Para seu idealizador, “a cultura do vinho não se limita apenas ao que está dentro da taça”.

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