Brasília-DF,
26/JUN/2019

Frutos do mar vindos do 'Fim do Mundo' é a atração do chef argentino Lino Adillon

Seres imensos, na cor vermelho vivo, saídos das águas geladas da Patagônia, as centollas é a iguaria típica da região da Terra del Fuego

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Liana Sabo Publicação:04/07/2014 06:10Atualização:03/07/2014 13:19
Chef Lino Adillon, de 54 anos, proprietário do restaurante Volver, à beira do Canal Beagle, em Ushuaia (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press)
Chef Lino Adillon, de 54 anos, proprietário do restaurante Volver, à beira do Canal Beagle, em Ushuaia
Seres imensos, na cor vermelho vivo, saídos das águas geladas da Patagônia, as centollas (diz-se centojas), iguaria típica da região da Terra del Fuego, também chamada Fim do Mundo, são a maior atração argentina desta semana, depois do futebol, é claro. Mas, como não se pode mastigar nem engolir uma partida, melhor saborear o caranguejo gigante que chegou pelas mãos do chef Lino Adillon (foto), de 54 anos, proprietário do restaurante Volver, à beira do Canal Beagle, em Ushuaia, cidade que é conhecida por ser o último reduto habitacional ao sul do planeta.

Alegre e brincalhão, Adillon (prefere ser chamado de cozinheiro em vez de chef) assistiu à seleção portenha eliminar a Suíça, por 1 x 0, na terça-feira, nove horas depois de se instalar no Hotel Meliá Brasil 21, trazendo na bagagem dois quilos e meio de caranguejo, principal ingrediente do festival gastronômico, que começou quarta-feira e vai até o almoço de domingo no Norton Grill.

Sem mostrar qualquer nervosismo diante do embate duro, o chef argentino disse que o placar do jogo de amanhã Argentina x Bélgica, no Mané Garrincha, "não precisa ser espetacular, apenas um gol a mais". E citou um ditado que ouviu no Brasil: "de grão em grão a galinha enche o papo". Acompanha Adillon, o filho Igor, de 22 anos, que estuda educação física em Córdoba, este sim um torcedor expansivo dentro da camisa azul e branca.

Semelhante ao king crab do Alasca, a centolla da Patagônia está sendo preparada de diversas maneiras. Numa entradinha, como coquetel, no suflê, com tomate e à parmegiana, que é um dos pratos mais pedidos no Volver, restaurante decorado como se fosse um armazém antigo com muitos objetos e uma imagem do revolucionário argentino Che Guevara, a quem o chef dedica profunda devoção. "Para mim, ele representa movimento - uma sociedade não pode ficar parada, sob pena de se tornar chata".

Lino, que toca o Volver há 26 anos, é, antes de tudo, uma figura muito divertida. Ele fez questão de apresentar pessoalmente o menu, numa entrada triunfal no salão com apito e muito barulho. Os pratos são levados à mesa em pequenas porções, ao contrário de outros festivais realizados no mesmo endereço, quando a comida é servida no bufê.

Três perguntas à Lino Adillon


As três coisas que os brasileiros mais amam na Argentina são o tango, o malbec e o doce de leite. Você acrescentaria outros itens na lista?

A carne de vaca, como alimento pela sua excelente qualidade. Como personalidades, o papa Francisco e Che Guevara.

Quem é o Messi da gastronomia ou o Maradona, se preferir?

Gato Dumas (morto em 2004, aos 65 anos, fundador da escola de culinária que leva seu nome, chegou a ter dois restaurantes no Brasil, em Búzios e em São Paulo) foi o mais importante chef que a Argentina já teve. Na atualidade, Francis Mallman.

Como surgiu o ceviche de puta madre?

O nome foi dado por uma cliente que veio jantar no Volver com o marido e eu lhe preparei naquela noite uma merluza negra fresca bem temperada com rocoto, a pimenta vermelha peruana bastante picante. Quando ela voltou lá disse que o ceviche havia funcionado melhor do que o viagra.

Usando uma pequena argola de ouro na orelha esquerda e os cabelos desalinhados, Adillon não revela o nome de seu cabeleireiro, nem sob tortura, "é para poupá-lo", explica. O bom humor deve ter sido útil na madrugada de terça, enquanto esperava no Aeroporto Internacional a liberação dos crustáceos congelados, que levou algumas horas. Preocupado com a preciosa carga, o chef viaja com termômetro no bolso para medir a temperatura do gelo.

Além das centollas - cuja estampa bordada ele exibe nos punhos e na parte frontal de seu dólmã, como uma marca -, o cardápio contempla salmão defumado, ostras gratinadas, camarões empanados, merluza negra ao alho e ceviche de puta madre. Alguns dos pratos já tinham sido apresentados por Adillon na embaixada argentina, onde esteve em outubro do ano passado durante o lançamento do pacote turístico Patagônia fantástica. Desta vez, a degustação está aberta ao público por R$ 98 mais 10%, hoje e amanhã, às 20h e domingo às 12h, no Norton Grill, telefone 3218-5550.

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