Brasília-DF,
23/SET/2021

Conheça mais sobre o Piantella, reduto gastronômico mais tradicional da cidade

De pai para filho, casa serviu de templo da liderança política nacional e sempre funcionou como uma grande família

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Liana Sabo Publicação:08/08/2014 06:10

Marco Aurélio Costa (E) e Fabrício Costa: companheirismo dentro e fora da cozinha (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press)
Marco Aurélio Costa (E) e Fabrício Costa: companheirismo dentro e fora da cozinha
O Piantella, reduto gastronômico mais tradicional da cidade, que serviu de templo da liderança política nacional, sempre funcionou como uma grande família. Em sua cozinha e adega passou mais de uma dupla de pai e filho. Como a do Palito e do Palitinho, formada pelo chef Gerardo Maciel, que foi um dos primeiros cozinheiros da casa e por seu filho, que veio trabalhar muito tempo depois. Wellington Maciel, apesar de alto e forte, foi logo chamado de Palitinho.

Nenhum dos dois trabalha mais lá. Palito está aposentado e Palitinho, que aprendeu a manipular o forno especial do restaurante, presta consultoria sobre o tema no Rio e em São Paulo. Na casa, permanece outra dupla formada pelo o maitre Nei Bernardo, um veterano que atua no estabelecimento desde os primeiros dias, há quase 40 anos. Onedi, filho de Nei, entrou menino e se interessou pelo serviço de vinho. Atualmente, está no segundo ano do curso de sommelier ministrado pela ABS-Brasília e já visitou pelo menos uma região vinícola brasileira, o Vale dos Vinhedos.

Saída gradual

Toda a equipe, sem exceção, considera o patrão Marco Aurélio Costa "pai de todos". Além de ser o principal e talvez mais antigo anfitrião da cidade, o restaurateur mineiro que encarna a figura paterna de uma empresa com mais de 70 funcionários, comanda também o próprio filho, Fabricio, que foi responsável pela Expand Store, loja de vinhos instalada na 401 Sul.

Desde que Marco Aurélio vendeu na semana passada as ações do Piantella para o seu sócio, o advogado Antonio Carlos de Almeida Braga, pai e filho - o primeiro de 65 anos (aniversaria a 12 de setembro junto com JK) e o segundo, de 39 -, examinam outras possibilidades de trabalho.


Marco Aurélio não se afastou da casa. "Até o fim do ano, estarei sempre aqui dando uma mãozinha", diz, com modéstia, uma das pessoas mais amáveis do circuito gastronômico brasiliense. Nesses 38 anos, ninguém conseguiu separar o criador da criatura. "Agora são novos tempo", reconhece o antigo sócio da casa, que daqui a dois anos, em 2016, completará 40 anos.

Ícones da casa


Misto de francês e italiano, o cardápio do Piantella é marcado pela perenidade. "Tem três pratos que jamais podem sair do menu: o frango à Kiev; o steak moscovita (servido com uma farta colherada de caviar) e o filé a la broche (fatias de filé com molho à base de escargô e alho)", aponta o restaurateur.

Apesar de FHC ter sido um contumaz frequentador da casa, o político mais querido sempre foi Ulysses Guimarães. "Na época da Constituinte, que durou dois anos, Doutor Ulysses almoçava e jantava aqui todos os dias", lembra Marco Aurélio, que ao amigo e líder político dedicou um espaço no primeiro andar do restaurante com a mesa que ele ocupava.

Nem só sofisticadas preparações eram servidas à importante clientela. Alguns pediam pratos de dieta. "A mulher de Nelson Carneiro me trouxe a receita do médico com a lista de ingredientes que o senador podia comer, e Delfim Netto pedia comida caseira: feijão, arroz, carne moída e pastel", lembra Marco Aurélio Costa, um restaurateur, cuja vivência com os clientes daria um livro inesquecível.

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