Brasília-DF,
20/SET/2021

Com clima seco Brasília se destaca no País como excelente produtora de mel

Graças ao clima e à vegetação da capital, o mel brasiliense é considerado um dos melhores do Brasil. Saiba onde encontrar pratos elaborados com esse ingrediente

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Renata Rios Sara Campos - Especial para o Correio Publicação:20/05/2016 07:00Atualização:20/05/2016 11:53

 (The Old Barr/Divulgação)
 

 

Orgulho do df, o mel produzido por aqui é considerado um dos melhores do Brasil. O clima seco e a diversidade de flores da região são algumas das características que fazem com que o mel da capital ganhe destaque.
Marcelo Petrarca, do restaurante Bloco C, sugere o estrogonofe de filé-mignon, que recebe um toque especial. “Acrescento mel ao preparo do estrogonofe e troquei o tradicional arroz pelo arroz cremoso de grana padano”, afirma o chef.


Outra casa que não tem medo de ousar é o pub Old Barr. O local serve uma combinação de camembert, mel e amêndoas. “Fora do Brasil, é muito comum que comam esse queijo com geleia, mas resolvemos apostar em um ingrediente nacional”, explica o gerente operacional, Diego Gonçalves.


O mel dá as cartas, ainda, nas sobremesas árabes. A região tem, inclusive variedades de mel que não encontramos no Brasil. “Antigamente, não existia açúcar nas casas, e o mel era a forma de adoçar nos lares libaneses. No país, temos uma variedade de mel maior do que no Brasil, como os de uva e romã”, afirma a proprietária do Tayoubi, Rima Abdul Hak.

IGUARIA ANTIGA

A história do mel se mistura, em vários momentos, com a da própria humanidade. Ele sempre foi considerado um produto especial e encontram-se evidências do uso até nas primitivas pinturas rupestres.


Entradinha cremosa e adocicada

A decoração em estilo inglês dá charme ao Old Barr, que aposta em receitas inovadoras em seu menu. Entre as alternativas que os comensais vislumbram no menu, figura o camembert com mel e amêndoas (R$ 38). O preparo ainda vem acompanhado por pães artesanais feitos na casa.
“Aquecemos o forno a uma temperatura bem alta, depois colocamos rapidamente o queijo. Chamamos isso de dar um susto. Dessa forma, ele fica levemente derretido por dentro e bem cremoso”, descreve o gerente operacional do hotel, Diego Gonçalves.


Segundo Gonçalves, o preparo leva à mesa uma versão abrasileirada da combinação, muito utilizada fora do Brasil, a desse queijo com geleias. “Pensamos em dar uma cara abrasileirada para esse preparo. No lugar da geleia, colocamos o mel. Já as amêndoas vêm para dar textura”, detalha. Ele ainda afirma que um dos pontos altos do prato é brincar com sabores doces e salgados e com texturas cremosas e crocantes.
Depois dessa entrada, uma sugestão de Gonçalves é a costela suína assada ao molho barbecue (R$ 39,90). A carne leva um toque defumado e ainda vem acompanhada por um molho de menta.


Apostando nos contrastes

 (Fotos: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Na hora de criar o cardápio do Bloco C, o chef, Marcelo Petrarca, não poupou criatividade. O restaurante apresenta versões elaboradas e criativas dos mais variados ingredientes. Mesmo em receitas clássicas, como o estrogonofe (R$ 49), Petrarca dá um toque só dele, acrescentando mel. “O estrogonofe é um prato que já trabalha o contraste entre o sal e o doce. Acentuei isso na minha versão”, pontua.


Segundo o chef, a receita passou por mudanças para chegar às mesas dos clientes. Uma delas foi a inserção de grana padano ao arroz cremoso que ainda acompanha batata palha caseira. “Esse prato traz o contraste entre o grana padano, que é um queijo mais salgado, com o mel”, afirma o chef. O molho de tomate concentrado ainda tem a companhia de mel e pasta de queijo na hora de encorpar o prato. No menu de almoço, o estrogonofe vem acompanhado de salada ao molho de mostarda e mel, e tomates assados no mel.


O ingrediente produzido por abelhas é base também para a entrada composta de anéis de lula com creme de queijo brie, mel e amêndoas, que vem acompanhado por uma cesta de pães.

Sabor e aroma


Em busca de uma opção mais leve no menu do Café Savana, o chef Marcelo Mello elaborou o peito de frango ao molho de mel, vinho branco, suco de uva integral e creme de leite fresco (R$ 29). O prato servido no tradicional café figura entre os preparos com carne branca mais pedidos entre os comensais.
“Além de ser mais saudável, o mel é bastante aromatizado e ressalta o sabor do frango, uma carne que é praticamente uma página em branco e precisa ser destacada com molhos e temperos que a destaque”, ressalta Mello, que garantiu cor amarelada ao molho com a utilização de cenoura.


Na opinião do chef, o prato escoltado por risoto de funghi tem a combinação de mel e uvas moscatel como uma garantia de sofisticação. “O mel dá um aspecto brilhante ao molho além de somar saúde e um toque de doçura na medida certa”, conclui Mello.

À moda italiana


O delivery de massas Sanfelice, comandado por Myriam Carvalho, tem no ravióli de provolone, figo e mel uma das 10 opções de massas recheadas (R$ 49 — o quilo). O sabor agridoce sempre esteve presente nas referências gastronômicas da chef, que aprendeu as receitas no sul da Itália. “Meu pai adora pratos que misturam ingredientes doces e salgados. Sempre tive costume de cozinhar opções agridoces e comê-las em família”, destaca a chef, que comandava a cantina homônima na Asa Sul e criou o sabor em 2013 entre as opções de fim de ano.


Na opinião de Myriam, que compra o doce de apicultor local, o mel é um bom ingrediente para o preparo de pratos agridoces. “É uma forma mais saudável de adoçar e garante um brilho maior ao prato”. A massa regada ao molho bechamel também estará disponível a partir de hoje no bufê do restaurante Miró (R$ 69,90), no qual ela também comanda as caçarolas.


“O provolone é um queijo defumado que tem uma boa harmonização com o mel. O figo é uma fruta muito versátil que garante suavidade ao prato”, afirma Myriam, que utiliza o figo turco seco, garantindo menos umidade e sabor menos adocicado.

Ponto clássico

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Desde 1976 no mesmo endereço, a lanchonete Vitamina Central apresenta uma extensa carta com mais de 40 tipos da bebida que garantem mais vitalidade e energia. A calciomel, que segundo o proprietário, Clóvis Silva, é uma das vitaminas mais antigas de Brasília, servida no estreito balcão e chega turbinada com leite, mamão, abacaxi, banana, chocolate em pó, ovo e mel (R$ 6 — 500 ml).


“Antigamente, essa bebida era pedida por quem voltava dos treinos da academia, mas, hoje em dia, atrai diferentes perfis: desde estudantes até pessoas que tomam café da manhã aqui antes de irem para o trabalho”, destaca Clóvis, que oferece o mel de flor de laranjeira como opção para adoçar desde a abertura da casa.


As vitaminas maratona (R$ 6 — 500ml), preparada com leite, banana, flocos de cereal, aveia, mel, guaraná em pó, e macrobiótica (R$ 6 — 500 ml), composta por leite, gérmen de trigo, banana, flocos de cereais, mel e levedura de cerveja, são outras opções clássicas que têm o produto natural na composição. “O interessante do mel de flor de laranjeira é que tem sabor suave, que não rouba o gosto dos outros ingredientes”, destaca Clóvis.

Pinga ni mim

 (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press)

O sabor forte da cachaça algumas vezes espanta quem opta pela bebida brasileira. No Empório da Cachaça, isso pode ser suavizado com mel e limão. “Esse tipo de cachaça faz muito sucesso entre o público mais jovem, por ela ser adocicada”, afirma o proprietário da casa, Igor Romão.


Romão explica que as cachaças saborizadas podem ser feitas de três maneiras: por infusão, na qual o ingrediente é colocado e depois coado; por mistura, como é o caso do mel; ou por destilação da fruta, em que a própria fruta produz a bebida. O proprietário oferece três rótulos que apostam na mistura: Santa Dose (R$ 5,90), Chuva (R$ 8,30) e a Ypioca (R$ 4,90).
Para acompanhar a bebida, ele sugere a costelinha ao molho de rapadura (R$ 44,90). “Quando abri, não queria fazer a costelinha com barbecue, queria algo mais brasileiro, então, com a pesquisa, descobri essa receita mineira”, relembra.

Saiba mais


Chope barato
Até o fim de junho, a casa vai trabalhar com o chope Heineken com um preço especial (R$ 4,99 — 340 ml). A promoção vai de segunda a quarta, das 17h às 21h.

Doçura libanesa

 (Fotos: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

As receitas de família inspiraram os doces árabes servidos na lanchonete Tayoubi, aberta há dois meses na Asa Sul. Comandada por Rima Abdul Hak, a casa revela na vitrine os sabores milenares regados por uma mistura de mel e essência de flor de laranjeira. “Existe um ritual para o preparo dos doces. Os ninhos são feitos artesanalmente com semolina e passaram a ser conhecidos popularmente no Brasil como cabelo de anjo”, destaca a proprietária, que recebe quinzenalmente as sobremesas preparadas pelo primo Samir Majed.


Entre as opções com mel do Tayoubi estão os ninhos recheados de pistache, nozes, castanha e amêndoas (R$ 6) e a namura (R$ 5 — duas unidades), doce feito com semolina, leite, mel e manteiga —, também regada pela calda translúcida de mel e essência de flor de laranjeira.
“Nos casamentos árabes, os doces são mais importantes do que o próprio bolo. Na cultura libanesa, eles são feitos por todos os membros da família e podem levar três dias para ficarem prontos”, destaca Rima, que vende diariamente 15 unidades das sobremesas com sotaque árabe.

Pão de mel e muito mais


Quando se fala de mel, é difícil não vir à cabeça a imagem de pão de mel. É exatamente nesse preparo que Melina Moretti, proprietária da Damel, se especializou.
“A Damel existe há 10 anos. Nesse tempo, adaptei minha receita, que leva menos cravo, por exemplo, para o sabor ficar mais suave”, explica Melina. Ela revela que na receita de pão de mel (a partir de R$ 4) o segredo é mesclar canela, noz-moscada, cravo e cacau em pó.


“Os clientes podem escolher como montar — se o preparo vai ser coberto por chocolate ao leite ou amargo e qual será o recheio”, afirma a proprietária. Entre os sabores, ela destaca chocolate e doce de leite, e os inusitados limão e pistache.
A casa trabalha ainda com outros preparos que levam o mel na receita, como o brigadeiro de pão de mel (R$ 2,20), feito com mel e especiarias, como canela e noz-moscada. Ela oferece ainda os cupcakes, massa de pão de mel com doce de leite coberta por ganache de chocolate (a partir de R$ 7), ou o cakepop, massa de pão de mel ralada e misturada com doce de leite até ficar homogênea, que é coberta por chocolate (a partir de R$ 3,20).

Sabor do cerrado


Ao sair do ramo de agricultura orgânica em Mogi Mirim, interior de São Paulo, Manuel Aponte decidiu colocar à prova as habilidades de padeiro para criar a marca Trem do Cerrado, em Pirenópolis. A empresa teve início com o reaproveitamento das castanhas de baru e pequi que se transformaram em barras de cereal (R$ 3 — 30g) adoçadas com mel silvestre.


“O mel é uma ótima opção para manter qualidade e garantia de saúde livre de produtos químicos”, destaca Aponte, que também prepara com mel os biscoitos de aveia com baru (R$ 5 — 8 unidades) e o pão multigrãos, de aveia, trigos branco e integral, linhaça, gergelim e quinoa (R$ 8 — 460g).
“Cada florada garante um sabor totalmente diferente. O mel faz uma ótima combinação com os frutos do cerrado e é um ingrediente que ajuda a garantir liga ao preparo de itens secos, que são praticamente a base das receitas”, explica Aponte, que fornece os produtos da empresa Trem do Cerrado para seis restaurantes naturais de Brasília.

ONDE COMER

Bloco C
(211 Sul Bl. C lj. 17; 3363-3062), aberto de segunda a quinta, das 12h às 15h30, e das 19h30 à 0h, sexta, das 12h às 15h30, e das 19h à 1h; e sábado, das 12h às 16h, e das 19h à 1h.

 

Café Savana
(116 Norte Bl. A lj. 4; 3347-9403), aberto diariamente, das 11h30 à 0h.

 

Damel
(215 Norte, Bl. B, sl. 105, subsolo; 8470-4287), atendimento com hora marcada.

 

Empório da Cachaça
(405 Sul, Bl. D, lj. 26; 3244-2143), aberto de segunda a sábado, das 12h à 0h.

 

Miró
(Setor Hoteleiro Sul q. 6 bl. B Complexo Brasil 21;3039-8155), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h.

 

Old Barr
(SHTN, Tr. 1, Conj. 1B, Bl.
C; 3424-7000), aberto de segunda a quinta, das 17h às 23h; sexta e sábado, das 17h às 2h; e domingo, das 17h às 23h.

 

Sanfelice
Pedidos podem ser feitos das 9h às 16h, de segunda a sábado pelo telefone 3702-0100 ou através do site sosentrega.com.br.

 

Tayoubi
(307 Sul bl.A lj. 25B; 8303-5760), aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h e sábado, das 8h às 18h.

 

Trem do Cerrado
Pedidos podem ser feitos para Manuel Aponte no tel. (62) 8185-6436, de segunda a sábado, das 10h às 18h.

 

Vitamina Central
(506 Sul Bl.A lj. 63), aberto de segunda a sexta, das 7h30 às 20h, e sábado, das 7h30 às 12h30.

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