Brasília-DF,
26/SET/2021

Favas Contadas mostra novidades nas receitas de doces tradicionais

As primas Ana Célia Campos Sales e Maria aprimoraram as iguarias adocicadas para tender o mercado de festas

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Liana Sabo Publicação:03/06/2016 07:00Atualização:02/06/2016 17:29

 (fOTOS: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

 

A tradição manda celebrar casamentos com um docinho de farinha de trigo, ovos e açúcar, cuja massa vai ao forno em forma de pequenos bolinhos. Depois de assados, eles são unidos dois a dois por um recheio de doce de leite. O formato simboliza a união dos noivos.


Nem todo mundo aprecia o bem-casado. Ou por ser muito doce, ou por ter gosto pronunciado de ovo. É o caso das primas Ana Célia Campos Sales e Maria José Salgado Ferraz, ambas de 50 anos, que há um ano e meio passaram a fazer docinhos em casa, justamente para atender o mercado de festa.

“Eu ia aos casamentos e sentia falta de um doce que pudesse substituir o batido bem-casado”, recorda Maria José, formada em geografia sem nunca ter exercido a profissão. Ela atuou no mercado financeiro antes de tocar uma loja de flores na 303 Sul. Por último, a doceira nascida em Brasília se dedicou às tias que necessitavam de seus cuidados.

Receita própria

 (Minervino Junior/CB/D.A Press)

Amigas desde crianças, as primas trocaram ideias e decidiram iniciar produção artesanal de doces na La Gourmet, começando por palha italiana, que é a união entre o brigadeiro e o biscoito. Só que de modo diferenciado. “O açúcar deixa a palha muito doce”, observa Ana Célia. Além de abolir o açúcar de confeiteiro, elas trocaram o biscoito maisena industrializado por outro caseiro e o achocolatado por um chocolate em pó de boa qualidade.


“Quando ficou pronto o doce, cortamos em quadrados e batizamos de carré, como passou a se chamar a nossa palha italiana”, informa Maria José. A receita original, no entanto, também é executada em três sabores: café, grappa e tradicional. O carré feito com chocolate belga Callebaut sai por R$ 5, a unidade, ou R$ 450, o cento.
Diante da semelhança dos ingredientes, inevitável se tornou fazer brigadeiro. Com uma pegada gourmet, o doce mais típico da culinária brasileira pode vir em 25 sabores, dos quais os mais pedidos são cerveja, cabernet sauvignon, damasco e morango com pimenta. Destaque ainda para paçoca, tamarindo, amora, amarula, cappuccino, creme brûlée e os de licores, como café, cacau e menta. O cento sai por R$ 290.

Superação


Ana Célia, ou Aninha, como é chamada na família, traz uma história de vida impressionante. Aos 27 anos, com três filhos e separada do marido, foi vítima de um tiro acidental que atravessou o seu corpo na região da coluna. Após três meses de internação na UTI, num hospital em Goiânia, ela foi dada como morta por uma médica, que constatou o óbito e mandou que avisassem a família.


Aí começa a redenção de Aninha. Ela viu — ou sonhou — que entrava num lindo jardim de muita paz e atrás de uma pequena ponte estava seu pai (já falecido na ocasião). Uma mão surgiu no caminho e uma voz perguntou: Você quer ir ao encontro de seu pai ou quer voltar e ficar com os seus filhos?
Aninha optou pelos filhos e está aí para contar a história. Veio embora para Brasília, casou-se outra vez e teve mais um filho. O relato acaba bem e sua doçura, cheia de gratidão e amor à vida, inunda de sabores o novo ofício. Você pode encomendar os doces da La Gourmet pelos telefones: 99679-6446 (Ana Célia) e 99984-3951 (Maria José) ou pelo e-mail: lagourmetdoces@hotmail.com.

Paladar diferenciado

 (João Paulo Lacerda/Divulgação)

Para quem busca alternativas às tradicionais cervejas tipo pilsen (loiras claras), hegemônicas no país, degustar alguns dos mais de 100 rótulos nacionais e importados da bebida — feita de um modo diferente —, que serão apresentados a partir do dia 9 até sábado, 11, no Casa Bier 2016, poderá ser uma grata experiência. O diferencial, no caso, se chama artesanal e, segundo o mestre cervejeiro Alberto Nascimento, consiste numa proposta de insumos diferentes e processos mais demorados que o convencional, sem conservantes nem corantes.

“O preço que se paga para ter uma bebida produzida em larga escala é alto, se considerarmos a qualidade oferecida”, afirma Nascimento, coautor da Colombina, primeira cerveja artesanal produzida em Goiás.

Experiência coletiva

Lançado ano passado no CasaPark, o Casa Bier vai realizar este ano a segunda edição no Iate Clube de Brasília, endereço pioneiro da cidade e que já foi palco de eventos anteriores, como a apresentação da Beer Station, carreta idealizada para a degustação de chope, em 2004. Este ano, 20 expositores participam da feira, cada qual com um estande montado no estacionamento do clube, onde o consumidor poderá experimentar enorme variedade de estilos. Comidinhas também estarão presentes.


“Criamos uma verdadeira experiência cervejeira para o público”, promete Tarso Frota, um dos organizadores e sócio da Pulso Distribuidora, responsável pela montagem dos estandes em bambu e tecidos. Algumas cervejarias aproveitam para lançar produtos, como a Corina, truck de cervejas; a Micro X, que faz a Brownie Ale em parceria com a grife de doces; e a veterana Stadt Bier, que se reposiciona no mercado ao investir em uma linha artesanal.

Atração do evento vai ocorrer no sábado à tarde quando mestres cervejeiros se reúnem com o público para produzir ao vivo e a cores a bebida, no que eles chamam brassagem coletiva.

Terceiro no ranking


A febre cervejeira, que começa a dar outros sabores para a secular mistura de água, malte, lúpulo e fermento, veio do exterior. Embora o Brasil seja o terceiro maior produtor mundial — atrás apenas daChina e dos Estados Unidos —, o consumo ainda é modesto (66,9 litros/ano per capita que coloca o país em 27º lugar) e a parcela desse mercado reservada às cervejas artesanais ainda é ínfima, cerca de 1%.


Existem mais de 80 estilos de cervejas, dos quais a maioria é milenar e o fato de a indústria produzir a bebida em grande escala não significa que ela não tenha também “uma opção artesanal”. Como a Ambev (maior empresa cervejeira do mundo), que traz ao evento alguns destaques, como as belgas Leffe e Hoegaarden, a americana Goose Island e a alemã Franziskaner. Convites saem por R$ 30, para um dia, ou R$ 70, para os três dias, e podem ser adquiridos online pelo site casabier.com.br.

Maratona de graça

 (Rubens Kato/Divulgação)

Nesses tempos de gourmetização, começa coincidentemente na mesma quinta-feira, no CasaPark, a sexta edição de um evento que terá aulas-show, minicursos com degustação e um mercado, além de programação infantil. A exemplo de rodadas anteriores, o CasaPark Gourmet traz este ano outro nome de peso do mundo gastronômico que é a chef-apresentadora Bel Coelho, do restaurante Clandestino (SP) e do programa Receita de viagem, do TLC. Às 19h30, ela fará um passeio pela cozinha brasileira, a partir da Bahia (camarões grelhados e caldo de vatapá); do Cerrado, com arroz de galinha d’angola e pequi; e do Norte, com creme de cumaru, farofa de cacau e castanha-do-brasil.

Num dos cursos da tarde, Ricardo Viana, do Armazém do Mineiro, ensina a receita do bolo de queijo da canastra. Dia 10, caberá ao chef Marcelo Petrarca, do Bloco C, ensinar o passo a passo de um jantar para dois, enquanto o sommelier de cerveja Pedro de Araújo, do Grote Bier, falará sobre a produção da bebida.

Noite de arrepiar


A coluna já recomendou uma fornida posta de bacalhau acompanhada de cebola marinada no xerez espanhol como atração do Tejo, na 404 Sul. Agora a casa também ficou sonora: pelo menos às quintas-feiras, pode-se ouvir lá o melhor do... fado português. Sérgio Rodrigues, que já se apresentou em Lisboa cinco anos atrás, executa no acordeon e canta Nem às paredes confesso, Uma casa portuguesa e outros sucessos, além de valsas. Na viola de sete cordas, acompanha Henrique Rabelo. Para o Dia dos Namorados, a casa elaborou um supermenu com três opções (arroz de pato, bacalhau Gomes de Sá ou camarão embriagado no vinho do Porto) por R$ 245, o casal, com entrada e sobremesa. Telefone: 3264-7005.

 

Só hoje


O premiado sommelier Guilherme Corrêa, bicampeão brasileiro pela ABS, estará hoje em Brasília para comandar, no Hotel Quality, o Decanter Wine Day 2016, superdegustação de até 120 rótulos de diferentes países produtores do Velho e do Novo Mundo. O público vai poder adquirir vinhos com desconto de 40%, como o italiano Barolo Pio Cesare (de R$ 659, por R$ 395); o chileno Arzuaga Reserva, por R$ 291,76; além do icônico Ferrari Perlé Brut, por R$ 193,52. Bufê de queijos, pastas e frios acompanham o serviço de bebidas. Convites por R$ 150, disponíveis na Enoteca Decanter, telefone 3349-1943.

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