Brasília-DF,
17/SET/2021

Simples assim: Frutos do cerrado são usados como inspiração para livro

Márcia Pinchemel utiliza gastronomia como instrumento de preservação da região

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Rebeca Oliveira Publicação:23/09/2016 07:00Atualização:22/09/2016 16:59

Márcia Pinchemel é defensora dos ingredientes do cerrado e os apresenta em receitas contemporâneas (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press)
Márcia Pinchemel é defensora dos ingredientes do cerrado e os apresenta em receitas contemporâneas


No último dia 11, o Brasil celebrou o Dia do Cerrado, data criada para lembrar a importância vital do maior bioma brasileiro. Conhecido como “berço das águas” devido a quantidade de reservas subterrâneas – que abastecem as maiores bacias do país, inclusive a Amazônica –, o cerrado sofre com a degradação desenfreada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, apenas 3% dele está protegido em unidades de conservação. Chefs como Márcia Pinchemel se utilizam da gastronomia como instrumento de preservação da região e de tudo que dela nasce.

Na semana passada, ela esteve em Brasília para o lançamento do livro Frutos do cerrado – Paixão, sabores e aromas. Na obra, Márcia reapresenta os sabores do maior bioma brasileiro com uma interpretação contemporânea, diferente dos preparos regionais a qual eles costumam ser associados. Mais que a publicação de receitas com baru, pequi e buriti, criadas ao longo de 16 anos, ela quer derrubar tabus sobre os frutos da região, ajudando a popularizá-los para além das receitas caipiras goianas. A ideia é repetir o movimento semelhante ao que aconteceu no Norte do país desde o ano 2000, quando começou a popularização de insumos como jambu, açaí e derivados da mandioca, a exemplo da tapioca, hoje de uso nacional.

“O livro é uma forma de chamar atenção para o bioma. Tenho um projeto, em fase embrionária, de fazer uma grande divulgação no ano que vem por meio de um evento nacional, sediado em Goiânia, para incentivar a disseminação desses ingredientes locais”, adianta.

O dilema do pequi

Bairrista por essência, Márcia é baiana e tem uma história curiosa com um dos mais emblemáticos frutos goianos: o pequi. Quando desembarcou no Goiás, em 1973, sentiu repulsa do cheiro do ingrediente cor de ouro. “Aquele aroma de pequi ‘gritava’ nas ruas. Demorei 10 anos para experimentar tamanho o incômodo que aquele perfume me trazia. Provei e amei. Quando montei o restaurante Le Bistrô, em Pirenópolis, criei um prato com pequi, e pedia que os clientes fizessem o mesmo. Era um frango com molho, utilizava o fruto com parcimônia. Como ele têm muita personalidade (jatobá e cagaita também, por exemplo) é preciso saber dosar”, ensina Márcia.

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