Brasília-DF,
18/OUT/2017

Em crônica, Paulo Pestana aponta o descaso com o Parque Nacional de Brasília

A reclamação principal é sobre o sábado de finados, em que sem explicação, a Água Mineral não abriu

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Publicação:08/11/2013 06:02Atualização:08/11/2013 09:39
 (Arquivo Pessoal)
A mão do homem fez a paisagem de Brasília, certo? É isso, pelo menos, que passamos para o mundo; o orgulho de criar uma cidade no meio do ermo, em cinco anos, e vê-la transformar-se num patrimônio universal. Monumentos e urbanismo dividindo os louros.

Mas há riquezas naturais únicas por perto e que são exploradas apenas por quem vive na cidade, e não por turistas. E que nem sempre estão disponíveis: alguém aí na sala pode explicar por que o Parque Nacional — a Água Mineral de todos nós — estava fechado no causticante sábado passado?

Madame vestiu o biquíni e a saída por cima, separou umas frutas e duas garrafas d’água, colocou as crianças no Del Rey vermelho e desceu a Estrutural em direção à Asa Norte. A única preocupação era a algazarra que vinha do banco de trás; afinal, ela assistiu ao noticiário da tevê: o moço disse que o parque estaria aberto. Como centenas de pessoas, deu com a cara no portão.

Feriado nacional, finados, indisposição estomacal do vigia, nada explica a desfeita — a não ser a evidente indiferença dos servidores públicos que estão ali para servir... a eles próprios, naturalmente.

O sujeito que passa pelo portão, depois de pagar o ingresso, é praticamente tratado como um invasor, um degradador da natureza; ou no mínimo um camarada que veio perturbar a paz dos servidores.

Até porque o fato de o parque estar fechado em pleno feriado — dia que as famílias têm para frequentar o local — foi apenas mais uma das falsetas que o Instituto Chico Mendes vem pregando no brasiliense.

Há sete meses a chamada piscina nova está fechada; com ela foi fechado também o único bar do local, o que significa que ninguém pode beber uma água de coco que seja. Nem comer um milho cozido.

Sete meses é um tempo mais do que razoável para se consertar uma piscina, ainda que seja enorme, como aquela. O problema não deve ser de vazamento, já que ali a água é corrente; mas é possível que algumas das pedras estejam fora de lugar — aliás, pode ser tudo, já que ninguém ali explica que tipo de obra está para ser feita. E pode ser nada: não se vê movimento algum.

Ainda que fosse qualquer coisa, não dava para pelo menos reabrir o bar da piscina velha enquanto a outra estiver fechada? O Parque da Água Mineral é, sim, uma zona de proteção ambiental e merece cuidados extremados, principalmente na época da seca.

Mas é também um local de lazer. Milhares de pessoas ficaram sem ter aonde ir. Mas a maioria dos servidores públicos responsáveis pelo parque não perdeu o sono por isso. É a lei do menor esforço.

Claro que alguém vai escrever para o jornal fazendo uma defesa da administração do parque — por mais indefensável que seja. Eu só gostaria que o missivista começasse respondendo a uma pergunta: por que é que a Água Mineral estava fechada também no domingo, se não era feriado nem nada?

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