Brasília-DF,
21/OUT/2017

Em Crônica, Paulo Pestana fala sobre o Lulu, famoso aplicativo para celular

Lulu avalia o desempenho sexual dos homens

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Paulo Pestana - Divirtase Mais Publicação:13/12/2013 06:03Atualização:12/12/2013 15:10
 (Arquivo Pessoal/Reprodução)

O rapaz vinha mastigando sua mariola imaginária pela calçada da entrequadra quando foi confrontado pela bela moça que apareceu à sua frente, saindo do nada: “Você não tem coração; não tem nada batendo aí no seu peito. Não passa mesmo de um... homem!”

Sim, a gravíssima acusação final veio com o ponto de exclamação embutido — e olha que exclamações têm rareado nesses tempos cínicos.A moça foi embora e o rapaz ficou estático. Depois do choque pôs a mão do lado esquerdo do peito, como a conferir se o coração ainda batia, e começou a falar; melhor, a balbuciar — era como se estivesse pensando alto: “O que será que eu fiz desta vez? Errado de novo?”

Não anda fácil ser homem. Desde que as mulheres descobriram que somos todos uns estúpidos arrogantes, o mundo vem se dividindo numa nova guerra fria. E se desta vez não tem botões vermelhos de aniquilação total, as consequências podem ser tão graves quanto o fim da humanidade.

Não sei como vai acabar, mas parece ter começado com os estudos de Masters e Johnson sobre a sexualidade, demonstrando que a mulher era a verdadeira protagonista no intercurso. E aparece esse virtual clube da Luluzinha — evidente contrafação dos antigos clubes de cavalheiros, onde, em passeio completo, iam fazer negócios e comparar o tamanho dos charutos.

Trata-se de um aplicativo para computadores e afins, Lulu, que vem tirando o sono de gentilomens e até de brucutus em geral. Tudo porque as moças dão nota — com direito a comentário! — para a atuação masculina na cama (ou no sofá, no carro, onde for o vuco-vuco). Evidentemente, a reação é mais um exagero masculino; mas homem é assim mesmo, tudo é um enorme problema quando se trata das partes baixas.

A questão central é que as mulheres invadiram o Clube do Bolinha, uma competição que era travada entre nós — desde os tempos de criança, em que havia aquelas medições atrás da matriz até a idade adulta com o safári urbano (só não podia cortar e empalhar as cabeças; é contra a lei). Virou um torneio público. E, de volta à infância, quem não teme uma nota vermelha?

Tolinhos, diriam elas. A medição vem de longe. Ivan Sérgio, o mais roqueiro dos irmãos Lima Santos, escreveu uma canção reveladora, gravada pela banda Vagabundo Sagrado. Diz: “Mulheres contam pras amigas se o homem tem pinto pequeno”. Contam mais. Com a facilidade de diálogo que só as mulheres têm entre elas, vão muito além. E, se estiverem entre as paredes azulejadas e diante do espelho de um banheiro então, parecem perder toda a inibição. Mas como termina, freudianamente, a citada canção, “no fundo somos apenas o que elas fazem de nós”. Agora com direito à nota.

Aliás, sobre o estudo de Masters e Johnson, há uma excelente série de tevê que a HBO está exibindo no Brasil. Chama-se Mestres do sexo. Mostra como a obsessão de um homem libertou as mulheres e causou essa confusão toda aí.

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