Brasília-DF,
22/AGO/2017

Na crônica da semana: ano novo e uma nova dieta

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Paulo Pestana Publicação:13/01/2017 06:50Atualização:12/01/2017 14:30
Ano novo, cheio de planos, decido que agora vou cuidar da saúde. Está mais do que na hora e começo janeiro abdicando das porcarias que me acompanharam por toda a vida para abraçar os alimentos saudáveis. A primeira providência foi trocar a delícia de um prato de brócolis cozido no vapor por um naco de torresmo. Se há alguém estranhando é porque não tem lido o que os cientistas estão dizendo: toucinho faz bem à saúde. Ainda tem uma turma que acha que são mais mortais que policial manauara, mas esses eu não ouço. Entendo lhufas, mas já escolhi: estou do lado do primeiro time. São os que afirmam que bacon aumenta a nossa expectativa de vida, ainda mais se for bem salgadinho —  segundo essa mesma moçada, uma dieta pobre em sal aumenta o risco de morte em 500%.
 
Também estou trocando água por cerveja. Fiquei sabendo que cerveja cura gripe, previne doenças do coração, acaba com insônia, evita cálculo renal, colesterol, fortalece os ossos e ainda previne o mal de Alzheimer. Só não sei ainda porque não vem com bula no casco. Me vem o soçobro de ter passado a vida comendo inhame e batata-baroa, crente que estava balanceando a alimentação e só agora descobrir que devia ter substituído tudo por uma bisteca gorda de porco, frita na banha suína. Também em nome da vida saudável, ainda menino, vi a manteiga sumir da mesa, substituída pela margarina, que seria benéfica pela origem vegetal. Hoje é veneno.
 
Nesses anos, também vi o açúcar desaparecer, acusado das maiores ignomínias contra o ser humano, o mesmo que o tirou de entre os nós da cana. E tudo para saber, há pouco, que o aspartame —  também de origem vegetal e que está em quase todo produto dietético —  é ainda mais vilanesco. É como trocar o Lex Luthor pelo Coringa. E o ovo? Espalharam aos quatro ventos que ovo fazia mal ao coração, com seus 185mg de colesterol envolvidos pela casca. Estão redimidas as galinhas e seus descendentes, pintos. Há quem diga que o ovo é o segundo alimento mais completo do mundo, só perde para o leite materno; mas aí é preciso mais cuidado: no caso dos marmanjos, um simples pedido de alimentação pode dar cadeia, por assédio sexual.
 
Parei de tomar leite no dia em que o Dr. Efraim Melara disse, entre as mesas do jornal, que era um veneno —  mesmo sem manga! Hoje me dizem que eu poderia ter ossos melhores e uma digestão mais camarada. Também restringi o consumo do abacate e da batata, ambos suspeitos de malfeitos no estômago. “Coma batata-doce que é melhor”, diziam. E eu comia; odiando, naturalmente, porque pior que batata-doce, só abóbora. Na nova dieta, só comerei batata-inglesa. E inocentes, ou quase, são as carnes processadas, antes condenadas pelo excesso de nitrato, até descobrirem que o corpo humano produz, sozinho, mais nitrato do que o que há num pacote de salsichas.
 
Portanto, 2017, se prepare que eu vou me esbaldar!

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