Brasília-DF,
18/NOV/2017

Crônica da semana: O garçom do futuro

Num futuro próximo, mais da metade dos postos de trabalho de hoje nos países mais desenvolvidos será ocupada por robôs

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Publicação:03/02/2017 06:15
Por volta de 2030, logo ali, portanto, mais da metade dos postos de trabalho de hoje nos países mais desenvolvidos será ocupada por robôs. Donald Trump terá de culpar as máquinas e não mais os mexicanos pelo fim dos empregos de seus compatriotas —  muitos deles construtores dessas máquinas, aliás.

A estimativa está em mais um estudo da Universidade de Oxford, levando em conta, principalmente, o veloz desenvolvimento da inteligência artificial. Há até quem aposte num prazo menor. Afinal, estudo semelhante, mas feito no início dos anos 2000, avaliou que algumas profissões que seriam seguras, estão hoje sob risco de extinção.
 
É o caso dos motoristas de táxi ou de Uber. Imaginava-se que robôs não poderiam exercer atividades sofisticadas, como dirigir, mas os carros autônomos já são realidade. Na cidade de Milton Keynes (250 mil habitantes), na Inglaterra, começa a funcionar experimentalmente um serviço de táxi sem motorista.
Otimistas podem alegar que desde que o mundo é mundo profissões vêm sendo substituídas. Tentaram impedir os avanços. O caso mais notório é o da rainha Elizabeth I, que, em 1589, recusou-se a patentear a máquina de tecer inventada por William Lee, para tentar salvar o trabalho das tecelãs do reino. Não deu muito certo.
 
Hoje há máquinas capazes até de fazer arte, como o e-David, que reproduzem cenas fotografadas no estilo de qualquer dos grandes pintores; e há computadores que podem completar as sinfonias que Schubert e Beethoven deixaram inacabadas, usando as habilidades dos compositores. Não é bem arte, mas não deixa de ser.
 
Oxford garante que estariam salvas, por exemplo, as profissões de advogado e juiz, mas não sei não. Já existe o componente emocional em algumas inteligências artificiais, baseado nos padrões de bom senso dos seres humanos —  que, aliás, anda em falta em alguns profissionais.
 
Estarão em alta profissões como psicólogo e terapeutas. Procede: serão eles a explicar a inutilidades da raça.
Eu não escapo. Jornalistas vão entrar para a galeria dos T-Rex, pois já existem softwares capazes de redigir um texto compreensível a partir de dados recolhidos de diversas fontes e selecionados pelo próprio computador.
 
Na medicina a revolução ainda será medida: computadores já fazem diagnósticos precisos, mas ninguém vai deixar um robô abrir o peito para ficar futucando. Mas engenheiro não precisa.
 
Tem o garçom mal-humorado, figura basilar em qualquer boteco que se preze e que mereça essa classificação. Esses parecem seguros.
 
O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), a mais prestigiosa escola de engenharia do mundo, desenvolveu um robô capaz de criar e sacudir um drinque ao gosto do freguês. Mas não tem o charme dos barman de filme, que não existem na vida real, nem das mocinhas que põem fogo na tequila, enfiam goela abaixo e sacodem a cabeça da gente.
 
E vai demorar para inventar um garçom como o de Noel Rosa, que dá o resultado do futebol, manda buscar guarda-chuva e fecha a porta da direita para não deixar o freguês exposto ao sol. Pensando bem, esse era bom inventar, porque, salvo engano, não existe.




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