Brasília-DF,
18/NOV/2017

Crônica da semana: Na festa de Babette

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Paulo Pestana Publicação:28/07/2017 06:00Atualização:27/07/2017 16:21
Melhor que um restaurante ou um bar, só um monte deles. De preferência juntos — cada um com sua especialidade, atiçando o paladar de quem aparecer, oferecendo produtos diferentes, pratos exclusivos ou não. É com o charme das feiras e a sofisticação do sabor que se equilibra a Quituart, um cantinho especial da cidade, ideal para se esconder da mesmice.
 
É uma espécie de cooperativa gastronômica — com algum artesanato —  que funciona no canteiro central da pista do Lago Norte, na altura da QI 7, nos finais de semana. O que a diferencia de seus assemelhados —  o Mercado do Núcleo ou a Feira do Guará, por exemplo —  é a diversidade apresentada por 24 estabelecimentos.
 
Em pequenos boxes são produzidos grandes pratos, excelentes drinques, salgados, doces, tudo numa organizada balbúrdia, que culmina numa estranha e disforme confraria de frequentadores mais ou menos fiéis de determinados estabelecimentos. O difícil é escolher o que comer, tamanha a variedade.
 
Os petiscos estão por todo lado. No Butiquim do Tuim, as almondeguitas — minibolinhos de carne em molho — são de dar água na boca; no Beco do Chope, os pastéis de angu são especialmente saborosos; no Cantinho da Tia Rô, ótimo pastel de pequi e uma rabadinha com agrião de respeito; na Casa Vale, a linguiça artesanal merece ser provada —  se no dia não tiver bolovo (ovos de codorna empanados).
 
Não é só: para quem prefere pratos mais substanciosos pode optar entre o Le Birosque, que serve porchetta —  carnes de porco temperadas e envolvidas pela panceta pururucada —  como na melhor tradição italiana. Há também O Realejo, com um steak tartare sem igual, o Araratuba com um leitão pururuca de primeira e Il Basilico —  especialista em molho pesto —  com saladas e massas.
 
Ainda há o Beit Kahama, com um falafel de cair o queixo, o Chucrute com um joelho de porco que não deve nada a ninguém, o Jamburanas com escondidinho de cogumelo e delícias do Pará e as pizzas do Entre Amigos. Há ainda um japonês, um espanhol, um mexicano, o mineiro (Das Minas) e comida andina (Armazém).
 
Aos sábados, na hora do almoço, o desfile de pratos nas mãos dos atendentes é uma delícia e um tormento; se não cuidar, causa torcicolo de tanta virada de pescoço. É quase uma festa de Babette, mas não se pode experimentar tudo.
 
Mas naquele dia não demos bola para nada. Depois de uma parada no Butiquim do Tuim, que tem bom sortimento de cachaças e, providenciada a abrideira e um chopinho, sentamos no Art-Gula, box da Fatinha, que é dessas cozinheiras — não se apresenta como chef, como quase todo mundo, nem usa dólmã com o nome bordado —  que sabem tudo de sabor.
 
Ela serviu um frango ao molho pardo, com caldo espesso e servido da forma mais frugal possível: arroz, feijão e saladinha com muita cebola. Sensacional. Irretocável. Delicioso. Tanto que na semana seguinte voltamos à mesma mesa, sem avisar; era para comer o famoso pê-efe da Fatinha. O veredito veio entusiasmado e unânime: é o melhor pê-efe do mundo!

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