Brasília-DF,
23/FEV/2018

Crônica da semana: Pensamentos incorretos

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Paulo Pestana Publicação:29/12/2017 06:00
Dia desses saiu a classificação dos assuntos mais procurados no Google durante todo o ano. Ganharam as notícias sobre televisão, ou melhor, sobre o programa Big Brother, classificação que explica muita coisa sobre a alma brasileira nesses tempos turbulentos.

Também foi um ano marcado pela eleição de Pabllo Vittar como dono da melhor música do ano, K.O., o que também explica muita coisa.
Aliás, parêntesis: outro dia a moça do rádio se embaraçou um bocado entrevistando o artista, sem saber se chamava de “o” ou de “a” Pabllo Vittar; e eu fiquei pensando que os romanos clássicos tinham razão em não admitir essa classe de palavras, que só apareceu no latim vulgar, quando o império já não era essas coisas. Quase liguei para Dad Squarisi, professora de todos nós, para saber o que fazer.
 
Eu sei: é provavelmente um pensamento politicamente incorreto, como a maioria dos meus devaneios, mas acho que o livre-pensar ainda está na validade (ainda que seja só pensar, diriam os milloristas); basta manter o respeito.
 
Mas nada se compara ao que pensei quando soube que Anitta ganhou o título de mulher do ano de uma revista —  que considerou como “homem do ano” um certo Thiaguinho que eu, na minha profunda ignorância, não sei quem é. O surpreendente é que ainda estão escolhendo homens e mulheres do ano e nenhuma associação reclamou de discriminação com os outros gêneros.
 
2017 é um ano em que Chico Buarque, João Bosco, Hermeto Paschoal (com dois discos) sacaram pencas de canções inéditas, que Criolo experimentou um balanço diferente, que Paulo Miklos assumiu sua identidade e que Domenico Lancelotti e Tulio Borges mostraram que ainda há muito a explorar na música brasileira. Às favas com os prêmios.
 
Fora da música, o ano termina com o fim de uma polêmica, decretada por via judicial: o colarinho foi finalmente reconhecido como parte inalienável do chope. Um fiscal do Inmetro multou um restaurante de Santa Catarina por servir chope com creme —  nunca diga espuma —  mas a razão venceu e ficamos livres da ameaça do jacaré, aquele resto de líquido quase choco que vai para o balde depois de passada a régua. O tribunal determinou, deste modo, que o creme compensa.
 
Mas nem precisava tanto. Os melhores estabelecimentos seguem o gosto do freguês, embora o recomendável seja dois dedos sobre o líquido, que preservam sabor, temperatura e a vivacidade do chope, segundo ensina o especialista (com placa e tudo) Marco Túlio.
O Velhinho do Lago Norte tentou recentemente criar cizânia sobre a qualidade dos serviços, mas como entende mesmo é de zimbro, ninguém deu muita bola. Eu, que não sou dono da verdade, mas mantenho minhas vontades, continuo preferindo o chope do Butiquim do Tuim, na Quituart, onde o barril é protegido por câmara fria e há cuidado na extração, incluindo dois dedos de proteção. E porque vou embora a pé.

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