Brasília-DF,
21/FEV/2018

Entrevista com o ator Guilherme Caravalho, da peça Baobás

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Caroline Maria Publicação:05/07/2013 06:17Atualização:04/07/2013 17:18
 (Bruno Bernardes/Divulgação)
Você é gaúcho. Veio para Brasília pelo espetáculo?

O espetáculo estreou em 2011. Não sou de Brasília, vim morar aqui para fazer a montagem dele. O Boabás é um intercâmbio entre o Pirilampo de Teatro de Bonecos e Atores e o Virtú, que foi fundado em Porto Alegre em 2002. Fernanda Pacini, nossa diretora, tinha esse projeto há certo tempo e conseguiu colocar em marcha. Ela me convidou e vim a Brasília. Montamos e estreamos em 2011 no Plano Piloto e em 11 regiões administrativas. Daí, começou a caminhada da peça. Ficamos um tempo parados com ele e estamos voltando agora, com esse projeto de ocupação da Funarte. Apresentamos dois espetáculos, o Baobás e o Palhaço(s).

Vocês enviam cartas do público aos Correios?

Na apresentação, pedimos que as pessoas levem cartas e nos entregamos pelos Correios. Escrever cartas é um hábito muito saudável. Para nós, até a nossa geração, só chegou o Pequeno Príncipe como a obra mais famosa de Antoine de Saint-Exupéry. Retomamos a vida dele, trechos de livros e sua vida, para que pudéssemos tecer sua tragetória. Ele atuou nos Correios, entregava cartas. Saía da Franca e fazia todo o território de lá. Entregava na Espanha também e na África. Depois, começou a atravessar o oceano: veio ao Brasil (Rio de Janeiro e Fortaleza, por exemplo) e Buenos Aires, sempre fazendo a entrega de cartas. Queríamos homenagear o trabalho no Correios de Exupéry e decidimos que para as pessoas entrarem no espetáculo, esse seria o nosso ingresso. Elas recebem um papel de carta na chegada e escrevem à alguém. Isso é dizer algo de verdade, não escrever um e-mail… É mais profundo! Eles nos entregam essa carta, nós guardamos todas e quando acaba o período de apresentações, levamos aos Correios.

Como é se apresentar dentro de um iglu?

O espetáculo se passa em um planetário. É como um versão menor do Museu da República. Cabem 70 pessoas lá dentro. Nosso espaço de atuação é um círculo. Um espaço curto, mas que nos favorece muito. Ele tem uma acústica muito específica, e quando se fala algo muito baixo, o eco ressoa. A voz corre pelas paredes, chegando limpa no outro lado. É um efeito interessante de acústica. Por ele ser pequeno, a nossa proximidade com o público é muito mais verdadeira e sincera. Sem perder a essência dos personagens, nos aproximamos das pessoas. É como se elas fossem parte da história do Exupery e de seus amigos.

A peça é ambientada na atmosfera da aviação?

Na entrada da peça, o público é orientado como se estivesse em um avião. Damos uma série de orientações de seguranças como é feito em um voo normal. Toda essa metafora é trazida para a nossa linguagem do espetáculo. Como ele é circular, temos um trabalho muito bonito de luz operado pela Fernanda, que complementa muito bem com o audio criado. Ele é muito artesanal e bonito. Ele é lúdico sem ser infantil. Apesar de muita gente pensar que é o autor apenas de O pequeno príncipe. Mas esse é o único livro infantil dele, os outros sao de histórias.

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