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23/SET/2018

Adaptação de filme Edukators tem primeira montagem nos palcos brasilienses

Quase 10 anos após lançamento do longa, história permanece atual na primeira adaptação do texto para o teatro

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Caroline Maria Publicação:12/07/2013 06:22Atualização:12/07/2013 11:20
Pablo Sanábio, Fabrício Belsoff e Natália Lage protagonizam adaptação: com cor latina do filme alemão (Paula Kossatz/Divulgação)
Pablo Sanábio, Fabrício Belsoff e Natália Lage protagonizam adaptação: com cor latina do filme alemão
Indicado à Palma de Ouro em Cannes, o filme alemão Edukators (2004) tornou-se cultuado por pulverizar um sentimento de inquietação revolucionária contra a exploração e a opressão do sistema, sobretudo entre jovens. Na trama do diretor austríaco Hans Weingartner, três amigos berlinenses invadem mansões. Não para roubar. Sem violência, criam uma forma de protesto para assustar e educar a sociedade: anarquizam o espaço, bagunçam os móveis e deixam um recado para os milionários: “Seus dias de fartura estão contados” ou “vocês têm grana demais. Assinado, Os Educadores”. Desta sexta-feira (12/7) a 4 de agosto, o CCBB recebe a primeira versão teatral oficial dessa história, adaptada por Rafael Gomes e dirigida por João Fonseca.

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Jule (Natália Lage) é demitida do emprego de garçonete e não sabe como pagar a dívida de 100 mil euros por ter amassado a Mercedes-Benz de um alto executivo num acidente. Após o impulso de invadir a mansão dele, é flagrada ao lado do amigo Jan (Fabrício Belsoff), o que os obriga a sequestrar o magnata Hardenberg (Edmilson Barros) e mantê-lo em um cativeiro afastado da cidade, com ajuda de Peter (Pablo Sanábio), namorado de Jule.

No esconderijo, desenvolve-se o núcleo do espetáculo: diálogos sobre as condições desiguais do sistema, o ímpeto revolucionário e a transformação da ideologia jovial em responsabilidades, deveres e amarras morais, o que parece afunilar o escape da lógica capitalista. “A peça é fiel ao filme, mas com uma cor mais latina, apesar de não a situarmos nem na Alemanha nem no Brasil. No cinema, é mais contido e minimalista, enquanto trazemos uma interpretação mais visceral para o teatro”, pontua Natália.

A convivência desbaratina no grupo a necessidade de uma revolução interna, ainda mais evidente que a ferida coletiva. O encontro dos três jovens amigos deságua num triângulo amoroso, que passa a questionar o sentido de amizade, de fidelidade e da crença em ideais. Quais? É a pergunta que se atualiza nas atuais manifestações que trocaram a invasão de mansões pela tomada das ruas brasileiras.

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