Brasília-DF,
23/JUN/2018

Grupo estreia no Gama releitura contemporânea de comédia de Shakespeare

Os integrantes do grupo são alunos e ex-alunos da Universidade de Brasília (UnB)

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Rebeca Oliveira, especial para o Correio Publicação:26/07/2013 06:20

Em Cabeça sem mente, o grupo Teatro de Mentira casa o texto clássico com novas tecnologias (Fernanda Portela/Divulgação)
Em Cabeça sem mente, o grupo Teatro de Mentira casa o texto clássico com novas tecnologias

Helena amava Demétrio, que amava Hérmia, que amava Lisandro… Relações não correspondidas que tecem um enredo muito conhecido pelo público. São personagens criados por William Shakespeare, na peça Sonhos de uma noite de verão. “Como, pois, se dirá que eu estou sozinha, se o mundo todo agora me contempla?”, questiona Helena a seu objeto de desejo, Demétrio. Em 1596, quando a peça foi escrita, a contemplação a Helena era algo real — uma paixão renegada. Atualmente, poderia se referir à alteração de um status de relacionamento no Facebook. Um casamento entre novas tecnologias e o texto clássico de Shakespeare é a proposta do grupo Teatro de Mentira, no espetáculo Cabeça sem mente, em cartaz de sexta-feira (26/7) a domingo (28) no Gama (Cia. Lábios da Lua).

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A essência é Shakespeare, mas o conteúdo passou por uma reformulação nas mãos do Teatro de Mentira. O grupo é um projeto de extensão do curso de artes cênicas da Universidade de Brasília. “A brincadeira é que, enquanto eles tentam montar o espetáculo, estão sucumbindo aos dramas da própria peça. Sem saber, vivenciam o drama que pretendem encenar. É uma peça dentro de outra peça”, antecipa Felícia Johansson. A experiente atriz encabeça a trupe que, entre o abrir e o fechar das cortinas, aprofunda conhecimentos. De acordo com Felícia (que também dirige a peça), o grupo se propõe a “estabelecer diálogos entre formas tradicionais de teatro e outras narrativas visuais, como cinema, vídeo e performance.” Nesse balaio, inserem-se referenciais contemporâneos, como as mídias sociais e os smartphones.

A peça estreia no Gama — cidade que, para Felícia, tem vocação natural para o teatro — e, ancorado pelo Fundo de Apoio a Cultura, passará também pelo Teatro Goldoni, na Casa D’Itália. (208/209 Sul), no próximo fim de semana.

Três perguntas // Felícia Johansson

Qual foi a inspiração para a comédia Cabeça sem mente?


A peça Sonhos de uma noite de verão. É sobre um grupo de alunos, liderados por professora retrógrada, tentando apresentar uma montagem desse clássico. Muitos textos são reproduções dos originais do autor. A brincadeira é que, enquanto eles tentam montar o espetáculo, estão sucumbindo aos dramas da própria peça. Sem saber, vivenciam o drama que pretendem encenar. É uma peça dentro de outra peça, tema recorrente em Sonhos de uma noite de verão. Esse núcleo da peça de Shakespeare foi transportado para o Brasil atual.

Quais as temáticas exploradas no espetáculo?


Abordamos a essência do teatro e dos atores, porque, no original, eles são ruins. A peça, que era para ser trágica, acaba virando cômica. Levamos isso para o Cabeça sem mente. Outro assunto recorrente é a questão do amor juvenil e a fragilidade do amor romântico. E acabamos abordando o cerne da educação, porque a professora é retrógrada e quer montar o teatro como ela acredita. Mas os estudantes estão em outra geração. Esse choque de culturas é revelado, pois se trata de uma geração completamente fascinada e envolta pelas novas tecnologias.

Como funciona o grupo Teatro de Mentira?

Sou professora do Departamento de Artes Cênicas da UnB. Temos um projeto de extensão que é o Teatro de Mentira, dedicado a estabelecer diálogos entre formas tradicionais de teatro e outras narrativas visuais, como cinema, vídeo e performance. É um projeto de pesquisa em linguagem. Ele se relaciona à UnB, mas não nos apresentamos necessariamente pela universidade. Os outros personagens são ou foram alunos da UnB. Alguns até se tornaram professores, mas todos passaram por lá.

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