Brasília-DF,
25/FEV/2018

Paula Santoro celebra centenário de Vinicius de Moraes em show

A cantora vai recriar o clássico disco Os afro-sambas

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Gabriel de Sá Publicação:18/10/2013 06:08Atualização:18/10/2013 11:57

Além do poeta, Baden Powell será lembrado no show também (Ana Valadares/Divulgação)
Além do poeta, Baden Powell será lembrado no show também

Paula Santoro não se lembra com precisão, mas acredita que tenha sido pela voz de Elis Regina que conheceu algumas das canções de Os afro-sambas, disco de 1966 de Vinicius de Moraes e Baden Powell. “Depois, fui atrás de saber mais sobre os autores. Eu sempre me liguei muito em quem eram os compositores, pois eu mesma, aos 10 anos de idade, compunha letra e música ao violão”, conta a cantora mineira. Neste sábado (19/10) e domingo (20), Paula recria o repertório clássico em shows no Teatro da Caixa, celebrando o centenário de Vinicius, que faria aniversário neste sábado.



São do álbum de 1966 hinos do cancioneiro popular como Canto de Ossanha e Canto de Xangô. Paula resolveu incluir no repertório, também, outros clássicos da dupla, como Berimbau, Consolação e Deixa. “Baden nos trouxe a beleza e a riqueza dos ritmos africanos, com melodias influenciadas também pelo canto gregoriano, enquanto Vinicius mesclou o aspecto ritualístico desses cantos de Orixás ao amor, seu tema preferido”, diz.

Paula Santoro

Sábado, às 20h; e domingo, às 19h, no Teatro da Caixa (SBS, Q. 4, Lt. 3/4; 3206-6456). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 12 anos. Informações: 3206-9448.


Confira entrevista com Paula Santoro


Paula, conte, por favor, sobre a influência de Baden e Vinicius na sua vida e na sua obra? E, de maneira geral, como você destacaria o trabalho dos dois dentro da tradição da música popular brasileira?

Baden e Vinícius me influenciaram antes e depois de me tornar cantora. Ouvi bastante a obra dos dois e de cada um, individualmente. Já cantei alguns Afro-sambas em outros shows, mas, neste projeto especial em homenagem a eles - 50 anos desta parceria e os 100 anos de Vinícius - é a primeira vez que canto todos os Afro-sambas. São composições maravilhosas, que têm uma força muito particular. Sempre gostei de música brasileira que fizesse a nossa conexão com a África e sempre ouvi muita música africana também.

Tudo que ouço me influencia como cantora/intérprete e como pessoa, já que acredito na Música como uma arte transformadora, que gera uma nova forma de entender o mundo. Essa influência se estende à hora de escolher os meus músicos, arranjadores, composições/compositores para cantar e gravar e, consequentemente, a sonoridade do que canto e a forma com que vou cantar esta ou aquela canção.

Os afrossambas são, até hoje, um dos mais conhecidos trabalhos de Baden e Vinicius. Você se lembra da primeira vez que os ouviu? Como se aproximou dessa obra?

Não me lembro exatamente o momento em que os ouvi. Sei que foi no início da minha adolescência, através de algum amigo ou amiga. Sempre tive amigos músicos e minha família também gostava muito de ouvir Música Popular Brasileira. Talvez, tenha sido através da Elis (minha mãe tinha todos os discos, em vinil) que ouvi o primeiro Afro-samba (Consolação) e depois fui atrás de saber mais sobre os autores. Eu sempre me liguei muito em quem eram os compositores pois eu mesma, aos 10 anos de idade, compunha ao violão - letra e música.

Este é o mês do centenário de Vinicius. Qual é, na sua opinião, a importância de celebrar essa obra?

“Os Afro-sambas” ocupam um lugar especial dentre os grandes discos de Música Brasileira. A parceria entre Baden e Vinícius mudou o rumo da música brasileira pois mergulhou profundamente nas nossas raízes africanas.

Penso que ninguém nunca tinha feito essa conexão Brasil-África de uma forma tão poética e universal como Baden e Vinícius. Na época em que eles resolveram fazer esse disco, Baden estava estudando canto gregoriano, com o maestro Moacir Santos (que é um Mestre nessa estética afro-brasileira) e percebeu semelhanças destes com os cantos africanos. Já Vinícius estava encantado com o LP "Sambas de Roda e Candomblés da Bahia" e começou a frequentar rodas de capoeira e terreiros.

Assim, Baden nos trouxe a beleza e riqueza dos ritmos africanos com melodias influenciadas também pelo canto gregoriano enquanto Vinícius mesclou o aspecto ritualístico desses cantos de Orixás ao Amor - que era seu tema preferido - criando letras com as quais todos poderiam se identificar.

Deixa, Pra que chorar e Tem dó não são afrossambas (pelo menos não estão no disco), mas são obras importantes dos dois compositores. Como você avalia a produção extra-afrossambas dos dois?

Exatamente, esses sambas que você citou não são Afro-sambas. Como no disco Afro-sambas são só 10 canções com letra, tivemos que escolher mais algumas para compor o show e, claro, escolhi parcerias dos dois que considero marcantes também. Acho que tudo que eles compuseram tem um diferencial, tem uma marca registrada, criando um novo elemento diferente do que cada um fez individualmente, ou com outros parceiros.

E o disco Mar do meu mundo? Me conte um pouco sobre ele? Há música do CD no repertório do show?

Neste projeto não há nenhuma canção do meu novo CD - Mar do meu Mundo. Realmente é um projeto especial, em homenagem a dois gênios brasileiros.

O Mar do Meu Mundo é meu novo disco solo em que privilegiei novos autores que ainda não são tão conhecidos no mercado e que merecem ser reconhecidos pois fazem Música com uma elaboração e riqueza incríveis. O tema marinho não foi intencional. Sempre escolho as músicas que gravo por intuição, por me emocionarem e me darem vontade de sair cantando o dia inteiro. Quando percebi que as letras de várias delas tinham a palavra Mar ou mesmo uma temática marinha, resolvi assumir o tema. Mas, não é apenas o mar como elemento da natureza. Refiro-me também ao mar interior, pessoal – de turbulências, calmaria e mistérios.

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