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19/FEV/2018

Companhia de dança Mário Nascimento se apresenta no Teatro da Caixa

Três peças serão apresentadas. Os dançarinos ainda contam com intrumentos musicais

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Rebeca Oliveira Publicação:25/10/2013 06:24Atualização:25/10/2013 09:25
 Oito bailarinos integram a trupe que se apresenta na cidade (Marco Aurelio Prates/Divulgação)
Oito bailarinos integram a trupe que se apresenta na cidade

A companhia de dança Mário Nascimento faz 15 anos. Desde a estreia, Mário e seus dançarinos carregam prêmios de peso: o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), conquistado em 1998, é um bom exemplo. Tamanho reconhecimento só poderia ser celebrado no palco: desta sexta a domingo, a companhia apresenta a trilogia Escapada, Território nu e Nômade, no Teatro da Caixa.

As três peças representam os maiores sucessos da companhia. Escapada conta a história de retirantes e imigrantes em busca de um recanto. Um reflexo da trajetória de Nascimento, que migrou de Cuiabá para São Paulo. “Ironizávamos tudo — inclusive a própria arte”, recorda o diretor. Além de atuarem como bailarinos, os artistas da companhia cantam, têm falas e tocam instrumentos durante a apresentação.

Nômade demonstra que a companhia não precisa pertencer a um lugar. “Não tínhamos uma sede física e isso era um incômodo. Mas descobrimos que não precisamos disso: somos itinerantes”, afirma Nascimento, atualmente radicado em Belo Horizonte.

Espetáculos da Cia. Mário Nascimento

15 anos da companhia de dança, com espetáculo Escapada, nsta sexta (25/10), às 20h; Território nu, sábado, às 20h; e Nômade, domingo, às 19h; Teatro da Caixa Cultural (SBS, Q. 4, Lt. 3/ 4; 3206-9448). Ingressos: R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia entrada para estudantes, maiores de 65 anos, professores, funcionários e clientes da Caixa e doadores de um brinquedo). Não recomendado para menores de 12 anos.

Programação das oficinas de arte e dança

15 anos da companhia de dança Mário Nascimento. Oficina de dança contemporânea com Mário Nascimento, hoje, das 11h às 13h; e oficina de arte integrada, com Rosa Antuña, amanhã, das 14h às 15h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul, Quadra 4; informações 3206-9448). Inscrições gratuitas pelo e-mail contato.ciamn@yahoo.com.br. Não recomendado para menores de 12 anos.

Confira entrevista com o diretor e coreógrafo Mário Nascimento

O que mudou entre Escapada e Nômade, primeiro e último trabalho da companhia?

Mudou tudo (Risos). Quando fiz meu primeiro trabalho (Escapada, em 1998) logo de cara ganhei o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Nos apresentamos na Europa e tivemos criticas muito bacanas. Eu queria conquistar o território e consegui. Mas, a realidade da arte e de fazer a companhia se fixar no mercado é árdua. Escapada era um cara pedindo carona, desesperado, indo a algum lugar e buscando conquistar algum espaço. Éramos eu e o Fábio Cardia. Com um espírito rock n’roll, ironizávamos tudo -- inclusive a própria arte. Nos 15 anos do grupo, resolvi voltar com o espetáculo Escapada nessa trilogia. Tratava-se da história de retirantes e imigrantes, que era o meu caso. Nasci em Cuiabá e fui muito cedo para São Paulo. Uma capital imensa, insana e maluca. Logo depois, fiz meu território, consegui me fixar. E aí que surge Território nu, que fala sobre delimitar as fronteiras. Já no Nômade, eu mudei. Se em Território nu o grupo e a companhia estavam se fixando, em Nômade, vemos que não precisamos de um lugar, e sim de um não-lugar. É um paradoxo, mas em cada espetáculo colocamos um ponto de vista diferente.

Não preciso delimitar fronteiras e sim estar no mundo, e é o que nós colocamos em nossas apresentações. O artista tem que se "desterritorializar" e gritar para o mundo suas criações.

O fato da companhia mudar de São Paulo para Belo Horizonte influenciou?

Fui mudando minha maneira de ver o mundo e a condição do artista e da minha companhia no universo, em lugares que ela tem que estar. Nós não tínhamos uma sede física e isso era uma incomodo para a companhia. Mas, descobrimos que não precisamos disso: somos itinerantes. Hoje, estamos em Belo Horizonte. Embora esse elenco esteja junto há certo tempo, as pessoas vão e voltam.

Mais que bailarinos, os artistas cantam, têm falas e tocam instrumentos durante a apresentação. Isso marca o trabalha da companhia?

Trabalhamos com impacto. Isso se nota nos três espetáculos. Discutimos a dança, a música (tanto a trilha sonora quanto a voz) e a pesquisa artística. A metalinguagem é uma característica nossa. A coreografia não existe e não se casa sem um trabalho de voz e movimento, um leva ao outro. Depois, há uma fusão dos três elementos. No caso da dança, não vejo só o movimento pelo movimento, mas enxergo-o como uma encenação. É possível trazer outros elementos para o meu trabalho. A minha curiosidade é estar em todos esses lugares. É o meu complexo de Bob Wilson, um excelente coreógrafo e diretor norte-americano.

Como as três apresentações dialogam entre si?

Existe um paralelo entre elas e em cada movimento exige uma mudança. Um grupo, para se manter, tem que estar em constante estado de evolução. Eu provoco muito meu elenco para que ele não fique só naquele lugar. O espetáculo se altera a cada apresentação. O diálogo com o público se estabelece através da dúvida. Trabalho com muita provocação. Oriento meus bailarinos a fazer determinadas ações em momentos diferentes. Falo com que o elenco pense sempre na escapada.

A improvisação é uma marca forte da companhia?

Essa é uma marca muito forte do grupo. Estudamos muito o improviso, pois ele é muito rigoroso. Existe uma consistência e ele se dá dentro de um universo. Existe um policiamento, mas não um cerceamento. Isso faz com que escapemos do lugar em que estávamos habituados, não saindo desse campo, mas o ampliamos: é daí que vem o espetáculo Território. É o trabalho que eu faço com a Rosa Antuña e o Fábio Cárdia, que cria todas as trilhas nesses 15 anos da companhia. Ele faz um trabalho de pesquisa, composição e criação a partir de um improviso de ambas as partes até que encontremos nosso elo. Estabelece uma duvida no público: onde está a coreografia, e onde está a improvisação?

É necessário assistir aos três espetáculos para entender o universo artístico da companhia ?

É bacana assistir aos três, eles se independem, mas não tanto. É possível estabelecer conexão entre eles e ter uma compreensão um pouco melhor do trabalho da companhia. Mas eles sobrevivem sozinhos, já tivemos turnê de cada um deles em separado. É muito bom poder fazer os três em sequencia, é rico para o grupo e para o público. Da uma ideia desse processo de construção, desde a trilha, que é transita entre o poético e o rock n’roll.

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