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21/OUT/2018

Espetáculo ¿Palhaço, Por quê?, conta com participação de intérpretes de Libras no palco

A trama é encenada por dois palhaços

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Rebeca Oliveira Publicação:08/11/2013 06:02Atualização:07/11/2013 15:06

Intérpretes de Libras interagem com atores na peça ¿Palhaço,Por quê?, da Equipe Teatral Confins-Artísticos (Diego Marcel/Divulgação)
Intérpretes de Libras interagem com atores na peça ¿Palhaço,Por quê?, da Equipe Teatral Confins-Artísticos
Nos bastidores de um circo, os palhaços Bobo e Calvino discutem as dores e delícias do fazer artístico. É nesse enredo que se baseia o espetáculo ¿Palhaço, Por quê?, inspirado no texto Balada de um palhaço, do ator e dramaturgo Plínio Marcos. Além das discussões casuais, Gustavo Reimecken, diretor da peça e fundador da Equipe Teatral Confins-Artísticos (E.T.C.A.), confere à apresentação um conceito pioneiro: a inserção de duas intérpretes de Libras em cena.


Além de traduzir simultaneamente as falas da peça, Eliana Pinheiro e Thalita Araújo agem como uma extensão do elenco. Elas interagem com os parceiros de cena: Gustavo, que também é palhaço, e o ator Ricardo Cruccioli. "Embora Libras seja uma língua completa, notamos que faltavam alguns conceitos sobre arte que achávamos interessante incluir — e tratar essa linguagem como uma forma de arte", afirma Gustavo Reimecken.

 

 ¿Palhaço, Por quê?,


Espetáculo da EquipeTeatral Confins-Artísticos. Sexta, às 20h, e sábado, às 20h, no teatro Paulo Autran (SESC Taguatinga Norte, CNB 12, AE 2/3; informações: 3274-8160). Entrada franca. Não recomendado para menores de 16 anos.

 

Leia a entrevista com Gustavo Reimecken

 

Porque você optou adaptar um texto de Plínio Marcos, que se autodenominava uma "figurinha difícil"?

Recebi esse texto do meu padrinho, Rógério Salazar, que comprou das mãos do próprio Plínio Marcos há algum tempo. Desde 2003 eu tenho esse texto e nós o utilizamos como uma inspiração, não uma adaptação. Está diferente do texto que Plínio Marcos propunha.

Quando você criou a Equipe Teatral Confins-Artísticos (ETCA), já pensava em trabalhar com Libras?

Criei a ETCA em 2001e esse foi o segundo espetáculo da companhia. Vem sendo apresentado desde 2003. No entanto, é a primeira vez que trabalhamos com Libras no teatro. Tivemos uma parceira incrível, Eliana Pinheiro, professora e interprete de Libras, que é a idealizadora e coordenadora do curso. Embora Libras seja uma língua completa, notamos que faltava alguns conceitos sobre arte que achávamos interessante incluir -- e tratar libras como uma forma de arte. Formamos três turmas em um curso que dura seis meses. Os assuntos abordados são introdução e iniciação aos conceitos artísticos e linguísticos de Libras, em aulas teóricas e práticas com material multimídia; e experiência prática do aluno e intérprete com a adaptação de um espetáculo teatral.

Qual a maior dificuldade em mesclar as  duas linguagens, a do teatro e a de sinais?

A maior dificuldade foi perceber qual era o limite de uma mera tradução textual para palavras que significam muitas coisas no português e que em libras tivesse um significado específico. Depois de um tempo, foi tranquilo fazê-lo… Estamos desde o começo do ano com esse trabalho. Não colocamos intérpretes onde elas normalmente ficam posicionadas. Fizemos um processo de imersão absoluta para cada personagem. As intérpretes Eliana Pinheiro e Thalita Araújo são como uma extensão do palco e não apenas interpretam aquilo que o ator está falando. É algo diferente e alguns grupos tentam fazer isso aqui no Brasil, mas dessa forma, com um curso de formação, é bem pioneiro. São três ações: um curso de formação artística, um vlog na internet e o espetáculo apresentado com as intérpretes atuando, não apenas traduzindo o que se passa no palco.

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