Brasília-DF,
22/SET/2018

Em peça, Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz interpretam retrato poético e fiel da velhice

Com franqueza e sem cerimônias, as senhoras falam de sexo, relacionamentos, solidão, perdas e ganhos

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Diego Ponce de Leon Publicação:29/11/2013 06:20Atualização:29/11/2013 12:53
Maitê Proença (E) e Clarisse Derzié Luz dividem a cena  num espetáculo poético e lúdico  (Quadrado Redondo/Divulgação)
Maitê Proença (E) e Clarisse Derzié Luz dividem a cena num espetáculo poético e lúdico

O delicado cenário e o cuidadoso figurino de À beira do abismo me cresceram asas remetem a um asilo. E assim deve ser. Nele, Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz fazem as vezes de duas senhoras, para lá de 80 anos. Por meio de diálogos pontuais (entre si e com um imaginário inquisidor) e de memórias compartilhadas, as duas idosas refletem sobre a vida. Mais especificamente, abordam a velhice. E o fazem da maneira mais original possível: com franqueza e sem cerimônias. Falam de sexo, de relacionamentos, de solidão, de perdas e de ganhos.

Maitê incorpora Teresinha, de 86 anos. Largada no asilo pelos três filhos, depois da morte do marido, Teresinha se revela amarga. Apesar do semblante austero, responde pelas principais reflexões propostas pelo texto, escrito pela própria Maitê Proença, a partir de uma série de entrevistas com idosos, conduzidas por Fernando Duarte. Clarisse, por sua vez, vive (em bela atuação) a alegre Valdina, que reflete o humor da idade. Prefere evitar o passado, embora não deixe de dividir o medo do caminho.

Idades parecidas e personalidades antagônicas. Juntas, Teresinha e Valdina comovem o público, em um retrato poético e fiel de uma fase da vida que, por vezes, esquecemos ser destino comum para todos nós. Como atestou Edith Piaf: “A velhice não é para covardes”. Não à toa, Piaf consta na trilha sonora.

Duas perguntas Maitê Proença

Como conciliar a carreira de escritora e de atriz? A escrita é uma prioridade hoje em dia?

Além da cronista e romancista, existe uma dramaturga que escreveu três peças de teatro. Com a primeira, Achadas e perdidas, fizemos uma turnê por mais de dois anos. A segunda, As meninas, rendeu vários prêmios. E a atual segue pelo mesmo caminho, sendo sucesso de crítica e público. Com a dramaturgia, então, eu uni a atriz e a escritora num único palco. Ambas são relevantes para mim. Poder falar de assuntos que me tocam, com o humor e a poesia que me encantam, foi a maneira que encontrei de exercer mais plena e honestamente as duas funções.

Por que a escolha de idosas como personagens?

Porque duas velhas já viveram de tudo. Elas têm 15 anos, 40 e 80. E já não têm a cerimônia de agradar, como temos aos 40. Podem dizer tudo, na lata, de um jeito cru e direto, que não poupa ninguém e ainda é cômico. Eu amo isso nos velhos. Não escolhi essa fase para falar da decrepitude, do fim. Mas para poder melhor falar da vida.

À beira do abismo me cresceram asas
No Teatro Brasil 21 Cultural (SHS, Q. 6; 3039-9296). Hoje e amanhã, às 21h. Domingo, às 18h. Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia), hoje; amanhã e domingo, R$ 100 e R$ 50 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

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