Brasília-DF,
20/SET/2018

Em espetáculo, diretora Christiane Jatahy se divide entre dois amores: o cinema e o teatro

A atuação dos personagens se mistura a cenas pré-gravadas e a outras filmadas ao vivo no espaço teatral, revelando detalhes e intimidades

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Mariana Vieira - Especial para o Correio Publicação:10/01/2014 07:09Atualização:09/01/2014 13:30

Julia é gravado ao vivo diante da plateia: experiência veio de peças anteriores da diretora (Gui Maia/Divulgação)
Julia é gravado ao vivo diante da plateia: experiência veio de peças anteriores da diretora

Inspirada em Senhorita Júlia, do sueco August Strindberg (1849-1912), a diretora Christiane Jatahy segue por caminhos desbravados em trabalhos anteriores para criar sua mais recente peça, Julia. Primeiro, vêm elementos de Corte seco, em que câmeras de segurança revelam, em tempo real, o entorno do teatro e os bastidores. Depois (e principalmente) vem a peça transformada em filme A falta que nos move, na qual os atores permaneceram 13 horas ininterruptas em filmagem.“Para mim, é uma continuidade na minha pesquisa. Levo minha experiência no teatro para o cinema, e dessa mistura surgem novas possibilidades”, conta Christiane.

No palco, a atuação dos personagens se mistura a cenas pré-gravadas e a outras filmadas ao vivo no espaço teatral, revelando detalhes e intimidades. “Um filme é construído diariamente diante do público”, explica a diretora. O enredo mostra o relacionamento entre Julia e Jean (Jelson, na adaptação), transposto para o Brasil de hoje. Em cena, estão os atores Julia Bernat e Rodrigo dos Santos, além do cinegrafista David Pacheco.

A encenação rendeu a Jatahy o Prêmio Shell de melhor direção em 2012, além de indicações ao Prêmio APTR de direção e cenário, ao Shell de adaptação e cenário e ao Prêmio Qualidade Brasil, nas categorias espetáculo, direção, atriz e ator.

Três perguntas para Cristhiane Jatahy

Julia é uma peça ou um filme?

Os dois! O mais interessante e inovador, na minha opinião, é justamente essa possibilidade. O público tem a oportunidade de ver um filme ser produzido ao vivo, além do contato com os atores. Essa peça traz uma temática muito notória no contexto brasileiro atual, que é o abismo de classes sociais.

Julia estreou no Rio de Janeiro em 2011 e passou por uma temporada na Europa, depois de ganhar prêmios e boas críticas. Como é voltar ao Brasil?


Brasília é a primeira cidade da nova turnê, que só foi possível porque a pesquisa recebeu o patrocínio do programa Petrobras Cultural. Fico muito feliz porque a cidade é não apenas um centro político, mas também um centro de pensamento no que diz respeito ao teatro e ao cinema, e sedia um dos festivais mais importantes do país (o Cena Contemporânea). Estou curiosa para ver a recepção do público brasiliense.

Esse seu trabalho, diferentemente dos anteriores (Corte seco e A falta que nos move) não é um texto autoral, mas uma adaptação de um clássico. Como foi esse processo?


Julia inaugura uma nova fase na minha pesquisa e surgiu de um interesse em olhar para os clássicos e ver como eles funcionam no contexto atual. Sempre me interessei por questões fronteiriças na arte; limites entre o teatro e o cinema, o ator e o personagem, o real e o ficcional. Acho que essa adaptação pode ser vista como uma nova fronteira entre o clássico e contemporâneo.

Julia
Nesta sexta-feira (10/1), às 21h; sábado, às 19h e às 21h; e domingo, às 19h, no Pavilhão de Vidro do Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Tc. 2, Cj. 22; 3108-7600). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Não recomendado para menores de 18 anos.

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