Brasília-DF,
22/JUN/2018

Caixa Cultural recebe exposição do artista Santiago Caruso neste fim de semana

Além de ilustrar A condessa sangrenta, obra assinada por Pizarnik, uma das malditas e talentosas escritoras argentinas, Caruso investiu em elaborações paralelas da artista

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Ricardo Daehn Publicação:10/01/2014 15:21
Imagem em exposição na Na obscuridade aberta (Santiago Caruso/Reprodução)
Imagem em exposição na Na obscuridade aberta

Mais corriqueira do que prosa (exposta no livro A condessa sangrenta), a poesia de Alejandra Pizarnik — que recorreu ao suicídio, aos 36 anos — igualmente está integrada à mostra Na obscuridade aberta. As mais de 30 obras do artista plástico Santiago Caruso que estão dispostas na Caixa Cultural tratam de uma poeta absorvida por obsessões. Além de ilustrar A condessa sangrenta, obra assinada por Pizarnik, uma das malditas e talentosas escritoras argentinas, Caruso investiu em elaborações paralelas da artista.

Exibidas ano passado no Museo de Arte Español Enrique Larreta, dez aquarelas originais (35cmx50cm) formam a série El eco de mis muertes, criada pela ocasião dos 40 anos de morte da escritora. "Me inteirei da poesia completa dela, por isso há muitos elementos reconhecíveis dessa literatura. Mas, independente do conhecimento do público, há uma lógica muda, na qual cada um põe as suas palavras de interpretação", entrega o artista das ilustrações.

Com formação prioritariamente autodidata, Santiago comunga bastante de princípios de Pizarnik. "Haverá quem note agressividade nas obras, ao mesmo tempo em que, alguns poderão se perturbar. Para além da reflexão em torno do poder absoluto, das obsessões e da análise de doenças mentais, creio que a exposição se volte para a compreensão do outro", afirma. Se dá peso aos originais criados, Santiago Caruso tem no computador "uma ferramenta inevitável" para o trabalho, útil, em especial, na hora de dar cor às obras.

"A gente não se escapa dos recursos digitais", diz, ao mesmo tempo em que renega aplicação exorbitante dessa pós-produção, antecedida por desenhos, pinturas e hachuras criadas em técnicas e plataformas tradicionais. Depois de enfrentar com a linha figurativa um mercado muito encantado com arte conceitual, dado a abstrações, o artista segue na cruzada de "fazer da ilustração uma obra plástica". No dia a dia, "as coisas se encaminham", e Caruso não abre mão de certa polêmica: "na arte conceitual, a comunicação vem bastante dos textos escritos, às vezes, muito mais do que da obra em si".

Na obscuridade aberta

Nas galerias Picola 1 e 2 da Caixa Cultural (SBS Qd. 04, Lts. 03 e 04, 3206-9448). Até domingo, das 9h às 21h. Não recomendo para menores de 18 anos.

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