Brasília-DF,
21/SET/2018

'Duas vezes um quarto' reúne personagens solitários em peça

O espetáculo traz a fusão dos textos A dama da Lapa e Dilúvio em tempos de seca, ambos do dramaturgo Marcelo Pedreira

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Rebeca Oliveira Publicação:18/07/2014 06:30Atualização:18/07/2014 13:18
Peça sobre angústias do cotidiano tem estreia nacional nos palcos de Brasília
 ( Dalton Valériuo/CB/D.A Press)
Peça sobre angústias do cotidiano tem estreia nacional nos palcos de Brasília

“Você costuma dizer coisas tão íntimas para estranhos?”, pergunta um escritor em crise a uma ex-modelo viciada em drogas. Na parede ao lado, uma mulher é paga para fazer companhia a um homem com tendências suicidas. Duas histórias, quatro personagens e, em comum, a solidão. Duas vezes um quarto (2X 1/4) traz a fusão dos textos A dama da Lapa e Dilúvio em tempos de seca, ambos de Marcelo Pedreira.

“É a primeira vez que dirijo os dois textos. Então, posso dizer que esta versão mostra 100% quem sou artisticamente”, confessa Pedreira.

Embora, no formato, Duas vezes um quarto seja uma peça inovadora, as histórias não são inéditas. A dama da Lapa inspirou o filme Incuráveis (2005), de Gustavo Acioli. Já Dilúvio em tempos de seca, foi montada nos palcos por Aderbal Freire-Filho.



Três perguntas para Marcelo Pedreira

Você transformou dois textos em um único espetáculo. Como surgiu essa ideia inovadora?

Esses foram meus dois primeiros textos. Eles têm uma temática muito parecida, e, desde aquela época, tive esse desejo de montar as peças juntas. É um sonho antigo. Arrisco a dizer que é algo inédito, eu pelo menos nunca vi. Foi um desafio. As peças ficam encadeadas, é algo incrível.

As duas peças falam sobre lacunas sentimentais e ruídos de comunicação. De que forma esses assuntos se comunicam com você?

Falamos muito sobre o desejo que todo mundo tem de romper com a solidão primordial de todo ser humano. É uma temática muito existencial. São dois casais que vivem amores tortos, sombrios, bem diferente do amor romântico, idealizado. As duas peças mexem com isso e tem muito de mim, são meus dois textos mais pessoais. É o trabalho mais importante da minha carreira, o mais autoral. Tive condições de escrever e também dirigir.

Você já foi funcionário público, analista de sistemas, dono de loja esotérica e músico, até decidir fazer um curso de artes cênicas. Como ocorreu essa virada?

Escrevo desde criança, mas, até chegar ao teatro, foi um longo e tortuoso caminho. Já fui analista de sistemas e também o primeiro repórter da internet brasileira, como correspondente em Los Angeles, onde morei por dois anos. Descobri o teatro por acaso, quando fiz a formação de atores na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Abandonei tudo que estava fazendo e segui essa vocação.

Duas vezes um quarto (2 X 1/4)

Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Tc. 2; 3108-7600). Sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 20h. Temporada até 17 de agosto, de quinta a domingo. Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.

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