Brasília-DF,
19/FEV/2018

Escritora Laura Esquivel fala ao Correio sobre literatura e cinema

A autora está na cidade para lançar o livro "Escrevendo a Nova História: Como deixar de ser vítima em 12 sessões", o lançamento será nesta quarta-feira (13/8)

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Vanessa Aquino Publicação:13/08/2014 08:39Atualização:13/08/2014 11:43

Quando começou a carreira como dramaturga e roteirista de cinema, a escritora mexicana Laura Esquivel talvez não imaginasse o sucesso que faria com o primeiro romance Como água para chocolate, best-seller que alcançou reconhecimento internacional. Por esta obra de estreia, publicada em 1989, Laura se tornou uma das autoras mexicanas mais importantes da sua geração e foi a primeira escritora estrangeira a ser premiada com o American Booksellers Book of the Year, em 1994. A adaptação da obra para o cinema alcançou um sucesso estrondoso. Quem não se lembra da história da menina que nasceu na cozinha da casa de uma família, enquanto a mãe cortava cebolas? O drama ficou famoso no mundo inteiro e é uma das referências do cinema dos anos 1990.

Em Brasília para lançar o novo livro, Escrevendo a Nova História: Como deixar de ser vítima em 12 sessões, Laura Esquivel falou ao Correio sobre o tema que envolve a obra não ficcional: como reeditar a própria vida. Questionada se o livro é um escrito de autoajuda, ela rebate: “É uma dramaturgia pessoal. Um manual que mostra as possibilidades de ser protagonista da própria vida.” Em 12 capítulos, ela compartilha experiências em duas áreas que a tornaram famosa: a literatura e o cinema.

O seu primeiro romance Como água para chocolate foi um sucesso enorme no mundo todo. A que atribuiu isso?

Eu não sei. Com o passar dos anos, fui tratando de descobrir o motivo de o livro ter funcionado em todo mundo. Lembro muito de uma frase que me disseram: “Você não sabe como me lembrei da cozinha da minha avó.” Eu acredito que o romance, por um lado, coloca as pessoas em contato com um mundo que sentem que perderam. Isso vem, no livro pela metáfora com os alimentos, com o contato que perdemos com a comida. A gente não cozinha como antes. Muitas vezes, se cozinha em função da produção, do horário que se tem para comer. Já não se participa da comida como um ritual, como uma cerimônia, como algo muito importante porque não só te nutre quimicamente, mas está nutrindo também o espírito.

No livro, é muito recorrente essa metáfora da nutrição com a própria vida, com o próprio ser. Isso vem da convivência com seus antepassados. Você aprendeu com eles a conotação ritualística da comida?

Eu cresci vendo minha mãe, minha avó e as minhas tias cozinharem. Entro em contato com a cozinha e essa é minha verdadeira escola, sem dúvida.

Esse conceito de dramaturgia pessoal, queria que explicasse, já que muitos críticos associam a um livro de autoajuda…

Finalmente, terei como explicar com esse exercício de escrita. Esse manual foi escrito como parte de um projeto que eu implementei no México quando estive a frente de uma delegação de cultura mexicana. A intenção é lembrar às pessoas que somos criadores, que estamos vivendo globalmente uma crise no Brasil, na Argentina, na Espanha. O livro ensina como ser protagonista da própria história. Quando você é capaz de imaginar-se em ação, já se converteu em um ente atuante, que está mudando. Se isso se chama de auto-ajuda, não me importa. Estamos em um mundo interconectado que está em transformação e as relações pessoais vão mudar também. Eu não coloco juízos de valor no trabalho honesto de gente que quer viver melhor.

Escrevendo a nova história
De Laura Esquivel. Tradução: Luís Carlos Cabral. Bertrand Brasil, 160 páginas. R$ 25. Livraria Cultura do shopping Casa Park. Dia 13 de agosto, às 19h. Entrada Franca. Classificação indicativa livre.


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