Brasília-DF,
19/NOV/2018

Os serrenhos do caldeirão faz reflexão sobre desertificação em região portuguesa

A coreógrafa Vera Manteiro questiona o quase desaparecimento da população da Serra do Caldeirão

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Publicação:06/03/2015 07:25Atualização:09/03/2015 10:49

A coreógrafa Vera Manteiro mescla dança e vídeo para contar a história da Serra do Caldeirão ( Luís da Cruz/Divulgação)
A coreógrafa Vera Manteiro mescla dança e vídeo para contar a história da Serra do Caldeirão

A antropologia vai cair na dança em Os serrenhos do caldeirão, coreografia que traz a portuguesa Vera Manteiro pela primeira vez a Brasília.

Idealizada há três anos, a montagem usa a dança e o vídeo para refletir sobre o processo de desertificação da Serra do Caldeirão, na região do Algarve, em Portugal. A coreógrafa questiona o quase desaparecimento da população que morava ali e as práticas de vida tradicionais e rurais.

Vera também se inspirou nas filmagens gravadas pelo etnomusicólogo Michel Giacometti nas décadas de 1960 e 1970 para montar a peça.

O espetáculo faz parte da programação do projeto BR-040 Práticas de Proximidade, que engloba dança, oficinas, artes visuais, circo, música, cultura popular no espaço da Funarte. As apresentações seguem até 29 de março.

 
Duas perguntas para Vera Manteiro

A peça usa vídeos de Michel Giacometti para relatar a desertificação de região portuguesa. Como foi o processo de construção da peça?

Eu recebi um convite do José Laginha (diretor artístico do DeVir / CAPa, Centro de Artes Performativas do Algarve) para fazer uma peça sobre a desertificação dessa região do Algarve, uma proposta feita a uma série de artistas de diversas áreas que deveriam visitar o local, fazer registros e incluir imagens em video em seus trabalhos. E meu interesse apontou pras pessoas que habitavam a região, já que hoje, resta muito pouco do que havia há 30 ou 40 anos. Quando fui pesquisar, surgiu a informação de um ritual em que, uma vez por ano, as pessoas iam até o mar, banhavam-se, e voltavam cantando. Procurando mais sobre isso, sobre o que eles cantavam, encontrei esses registros do Michel Giacometti, que era belga mas viveu muitos anos em Portugal pesquisando etnomusicologia, e que conseguiu captar o final dessa cultura, o final desses modos de vida e da música e do canto a ele associados. São imagens facilmente encontradas na internet, e também editadas há pouco tempo em DVD, mas encontrar essas imagens expandiu a presença do video no trabalho pra muito além do que estava previsto. Tudo havia sido produzido num tempo em que a TV filmava em película, em preto e branco, dando a ver diversos aspectos cinematográficos. Em alguns momentos, parecem pinturas, imagens muito bem cuidadas e bonitas. Isso me levou a diversas outras coisas de outras regiões. Nem tudo que está atribuído a serra do Algarve na peça, pertence necessariamente a ela. Há elementos de outras localidades rurais de Portugal que tem em comum com o Algarve o fato de também serem, quase todas, pouco letradas, mas ricas do ponto de vista da cultura musical, uma música que atravessa seus cotidianos.
 
Qual é a expectativa para se apresentar em Brasília?

Posso dizer que estou com muita vontade de mostrar o trabalho na cidade. Antes do convite do Patrick (Sampaio) para a parceria com o Brecha nas apresentações que faremos na Funarte, conheci Brasília através da equipe do projeto Aisthesis (Francis Wilker, Giselle Rodrigues, Jonathan Andrade, Kênia Dias, Édi Oliveira e Glauber Coradesqui) que me convidou a fazer uma espécie de assessoria e me apresentou a artistas de teatro e dança da cidade. Depois de conhecer um pouco do trabalho deles, vai ser interessante continuar esse diálogo depois de mostrar esse meu último trabalho.

Os Serrenhos do Caldeirão

Sábado às 21, e domingo às 20h. Teatro Plínio Marcos do Complexo Funarte Brasília (Eixo Monumental, atrás da Torre). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 20 (meia). Entrada gratuita para as primeiras dez pessoas que chegarem ao local de bicicleta. Classificação livre.

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