Brasília-DF,
19/SET/2018

Espetáculo A costureira apresenta as dicotomias características dos clowns

Na peça, Gardi Hutter investiga a existência humana para buscar os sentidos que ela tem

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Rebeca Oliveira Publicação:12/06/2015 07:09
 (	Sylke Meyer/Divulgação)

Um espetáculo sobre a tragédia humana. Com essas palavras a palhaça e atriz suíça Gardi Hutter define a trama de A costureira, em cartaz neste fim de semana no Teatro da Caixa. Em cena, o infinito particular da atriz é uma mesa de costura. Da mesma maneira que os mestres Charles Chaplin e Buster Keaton, Gardi Hutter trata da realidade do ser humano utilizando-se da linguagem clown, rica em dicotomias — cômica e dramática em igual medida.

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“Não podemos mudar nossa finitude, mas podemos rir dela. O espaço é infinito, nada morre, só muda de forma. Normalmente, rimos das coisas de que temos medo. A risada faz o horror parecer menor. Esse é o paradoxo do clown”, define.

Entre linhas, agulhas e tecidos, Gardi Hutter investiga a existência humana para buscar os sentidos que ela tem. “O palhaço não explica nada, ele é simplesmente um azarado que vive o pior que pode ser imaginado”, explica a artista, do alto de seus 30 anos de carreira. A arte, para ela, é “uma religião sem Deus” que, se comparada à vida neurótica dos nossos dias, possibilita viajar em um mundo imaginário.

Três perguntas para Gardi Hutter

É necessário ser provocativa para ser uma palhaça moderna?

Quanto mais um tema for rodeado de tabus, mais ele causa estranhamento e mais é engraçado. A ingenuidade do palhaço o coloca como um ser fora dos padrões morais. Ele aproxima as oposições, o bom e o mau.

As dificuldades impostas ao palhaço se tornam mais complicadas por você ser mulher?

Tive dificuldade porque não tinha um inconsciente coletivo de mulheres cômicas. Meus ídolos eram todos homens. Por outro lado, quando apareci, fui rapidamente aceita por ser uma novidade, ficaram curiosos com essa raridade.

O que pode nos dizer sobre a parceria artística com Michael Vogel?

Michael Vogel é um especialista em teatro de máscaras. Eu, como uma palhaça, sou um corpo-máscara. Nossa colaboração artística foi muito boa porque temos um imaginário parecido. Nós não nos conhecíamos muito bem, mas, logo que começamos a trabalhar,0 descobrimos que nos divertíamos com as mesmas coisas. Todas as ideias do espetáculo são resultado da nossa inspiração, de uma troca.
Tags: celular

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