Brasília-DF,
21/JUL/2018

Peça Autobriografia Autorizada traz Paulo Betti contando a própria história

As circunstâncias políticas e sociais do país, no decorrer das últimas seis décadas, também integram o enredo

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Diego Ponce de Leon Publicação:10/07/2015 06:15
O ator encara o palco sozinho por quase duas horas (Mauro Kury /Divulgação)
O ator encara o palco sozinho por quase duas horas


Filho de uma camponesa analfabeta e último a nascer de uma prole de 15 crianças, Paulo Betti saiu do meio rural para se tornar um dos mais prestigiados e conhecidos artistas da dramaturgia brasileira. Depois de temporadas pelo Rio de Janeiro, interior de São Paulo, Fortaleza e até Angola, o ator estreia o monólogo Autobiografia autorizada em Brasília, no palco do CCBB. O texto, como o título do espetáculo entrega, revive a trajetória de Paulo, desde a infância.

Em cena, a partir de escritos que ele próprio produziu na adolescência, o ator interpreta o pai, a mãe, a avó e tantos outros, e reflete sobre o impacto das relações. O pai de Paulo, por exemplo, era esquizofrênico. O avô foi um imigrante italiano que trabalhou para um fazendeiro negro. Um início de vida árduo, rodeado de adversidades, que são transportadas para o palco de forma lírica e poética, alternando entre ares cômicos e dramáticos.

As circunstâncias políticas e sociais do país, no decorrer das últimas seis décadas, também integram o enredo. Períodos como a ditadura militar, que o artista vivenciou intensamente, são relembrados a partir da visão e vivência de Paulo, que atua por quase duas horas na peça.

SERVIÇO
Autobiografia autorizada
De Paulo Betti e Rafael Ponzi. Texto de Paulo Betti. No Teatro I do CCBB (SCES, Trecho 2). Até 19 de julho. De quarta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Ingressos a R$ 10 (inteira). Não recomendado para menores de 12 anos.

Saiba mais
O espetáculo Autobiografia autorizada celebra os 40 anos de carreira de Paulo, que teve atuações marcantes nos palcos, na televisão e no cinema. Nas telas, chamou atenção em Lamarca (1993) e A casa da mãe Joana (2007), por exemplo. Na tevê, na novela Tieta (1989). Coleciona diversos prêmios, entre eles o Shell, o mais importante do teatro nacional.

Duas perguntas Rafael Ponzi
Qual é o grande diferencial da história para cativar o espectador?
O diferencial é que o Paulo Betti é um ator bem-sucedido e teve uma infância difícil. Paulo consegue nos contar essas dificuldades com humor e lirismo. Conseguimos fazer um trabalho familiar: somos compadres, sou padrinho de Juliana Betti, assistente de direção; minha filha Leticia Ponzi fez os figurinos. Mana Bernardes, mulher do Paulo, fez o cenário: E conseguimos passar essa diversão — que percebemos durante os ensaios — para o espetáculo.

A biografia encenada serve como gancho para suscitar outros temas? Ou se restringe à trajetória artística e pessoal?
Sim. Esse espetáculo conta a história de uma época, passa pelos momentos políticos do país e pelas revoluções culturais dos anos 1960 e 1970.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.
Paulo Ferreira 10 de Julho às 08:05

DEVE SER IMPERDÍVEL.

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