Brasília-DF,
21/JUL/2018

Companhia Dos à Deux mostra espetáculo Irmãos de Sangue pela primeira vez na cidade

A dupla André Curti e Artur Luanda Ribeiro assina a dramaturgia, direção, roteiro, cenário e coreografia da peça

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Rebeca Oliveira Publicação:10/07/2015 06:16
Mímica, dança e circo dão o tom de Irmãos de sangue (Xavier Cantat/Divulgação)
Mímica, dança e circo dão o tom de Irmãos de sangue


O corpo é a essência da narrativa de Irmãos de sangue, espetáculo da companhia franco-brasileira Dos à Deux, que fez estreia mundial em Paris e chega pela primeira vez aos palcos brasilienses. Contada em camadas, a relação entre uma mãe e os três filhos ganha contornos lúdicos em cena, reforçados pelas referências à arte clown e à dança.

Vencedora do Prêmio Shell 2014 na categoria melhor ator pelo espetáculo, a dupla André Curti e Artur Luanda Ribeiro assina a dramaturgia, direção, roteiro, cenário e coreografia da peça. Completam o elenco os atores Raquel Iantas e Daniel Leuback.

“Gostamos de contar histórias que sejam acessíveis, compreensíveis, apesar de ser uma dramaturgia diferente e mesmo que cada um venha a criar a própria interpretação a partir do que assimila do espetáculo”, explica André Curti, cocriador da companhia formada com Ribeiro quando moravam na França, em 1997.

“Temos um olhar quase exterior de todo o processo criativo, mesmo estando do lado de dentro. No começo, éramos só nós dois em cena e fizemos dois duos, o primeiro homônimo à companhia e o segundo, Aux pieds de la Lettre, no qual tínhamos uma visão crítica e perfeccionista um com o outro”, recorda-se. “Hoje, tudo é feito em conjunto, convidamos dos músicos aos figurinistas para colaborar. É orgânico e generoso”, encerra.

Duas perguntas // André Curti
Qual o maior desafio em transmitir a essência teatral sem utilizar palavras?
Sempre digo que eu e Artur Luanda Ribeiro somos dois contadores de histórias. Apesar do fato de não ter palavras, nossa dramaturgia é completamente teatral e textual. Depois, transpomos toda a narrativa que escrevemos em gestos, por isso temos períodos de pesquisa tão longos, de até um ano. Algumas pessoas assistem à peça e dizem que têm impressão de ouvir palavras. Isso é incrível, nos emociona.

Em seu nono espetáculo, porque voltar a investir no tema família, já abordado em Saudade em Terras d’Água e Fragmentos do desejo?
Irmãos de sangue é quase uma sequência dos outros espetáculos. O último, Fragmentos do desejo, era uma história forte, mas com temática complicada. Envolvia incesto, por exemplo. Desta vez, queríamos falar de fraternidade. Como é uma dramaturgia com muita alternância entre flashback e momentos atuais, contamos a história pelos olhos das crianças. É isso que faz o espetáculo tocar tão profundamente as pessoas: mexe com as memórias afetivas.

Irmãos de sangue
Na Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul, Quadra 04, Lotes 3/4; informações 3206-9448 e 3206-6456). Hoje e amanhã, às 20h; e domingo, às 19h. Até 26 de julho. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.

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